Comer agora ou comer depois não são indicadores de sucesso
Comer o doce não condena ninguém ao fracasso! É muito difícil acreditar que uma só acção possa demonstrar traços profundos de personalidade e menos ainda prever o futuro sucesso ou fracasso dessa pessoa. Se você avalia as pessoas com base em apenas uma acção ou um traço: reconsidere, por favor.
Ao analisar o material para a elaboração deste artigo, recordei-me de dois "experimentos" que a minha mãe fez comigo. A minha mãe gostava de colocar desafios; a forma como eu respondesse determinaria o meu possível sucesso - tanto momentâneo como futuro. Como eu era a filha mais velha, o escrutínio sobre as minhas escolhas era bastante intenso.
Deixem-me já acabar com o suspense e adiantar que eu falhei em todos os testes de carácter, motivação e sucesso que a minha mãe me colocou! Que testes foram esses? No primeiro, a minha mãe apresentou-me uma caixa cheia de bolachas de chocolate deliciosas, embrulhadas em papel de prata colorido. "Tira as bolachas que quiseres", disse a minha mãe. Eu tirei todas as que consegui segurar com as mãos e os braços. A minha mãe ficou a olhar, impávida e serena. No final perguntou: "Já tiraste tudo?". Eu agarrei ainda mais duas bolachas com os dedos relativamente soltos: "Já está".
A minha mãe pegou na caixa com as restantes bolachas e entregou às minhas irmãs, e disse: "Quem tudo quer, tudo perde! Se tivesses tirado poucas bolachas, ficarias com todas. Assim, ficas só com essas e as restantes são todas para as tuas irmãs!". Olhei para as minhas bolachas e olhei para as bolachas que ficaram na caixa e achei que eu tinha, na verdade, feito um grande negócio, mas deixei a minha mãe ficar com os louros de uma lição bem dada.
No segundo teste de que me recordo, a minha mãe apresentou-me uns doces de abóbora maravilhosos, tradicionais, chamados Pitos de Santa Luzia, feitos por uma vizinha que tinha sido particularmente desagradável comigo. "Foi a Dona Felisbela que fez os Pitos. Vais comer?".
Eu comi. A minha mãe deixou-me comer, e disse-me, no final: "Pensei que fosses mais forte do que isso!". Claramente, eu não era. E o que é que estes experimentos têm a ver com o nosso tema de hoje? Bem, há um experimento muito famoso, amplamente divulgado, que, desde a primeira vez que o vi, me incomodou muito (talvez por causa dos Pitos de Santa Luzia), e é importante vermos como os preconceitos e a análise enviesada e incompleta dos resultados de experimentos podem subverter a interpretação correcta dos mesmos - e condenar crianças a etiquetas injustas.











