Mina do Luaxe não tem 200 milhões USD para iniciar a produção industrial
A operacionalização da Mina do Luaxe está dependente de 200 milhões USD. Dados preliminares apontam para a ocorrência de uma reserva de 350 milhões de quilates e uma vida útil de 30 anos. Cinco anos depois da primeira data anunciada, continua a lutar para iniciar a produção industrial.
A Mina do Luaxe, na Lunda Sul, precisa de um investimento de 200 milhões USD para a sua operacionalização. Em Janeiro do passado, o presidente do conselho de administração da ENDIAMA, Ganga Júnior, anunciou a abertura da Mina do Luaxe para o segundo semestre de 2022, facto que não se concretizou até agora.
Localizada na província da Lunda Sul, é uma mina de deposito primário (quimberlito) e quando estiver no auge da sua produção, pode contar com 1.500 trabalhadores e espera-se que numa primeira fase venha a produzir um pouco mais de 1 milhão de quilates por ano. Implantada numa área de 104 hectares, poderá atingir anualmente uma receita bruta de 60 milhões USD, nos primeiros anos.
Dados preliminares apontam para a ocorrência na mina de uma reserva de 350 milhões de quilates e uma vida útil de 30 anos. Em 2021, num balanço apresentado pela ENDIAMA sobre as realizações da empresa, no ano em referência, a mina produziu 1,7 milhões de quilates de diamantes, num grau de cumprimento de 172,5%, em relação ao programado e uma produção media mensal de diamantes de 143,7 mil quilates.
Segundo o presidente do conselho de administração da ENDIAMA, o Governo pretende que a mina comece a produzir, mas a falta de investidores está a condicionar a abertura oficial da mina. Terminados os estudos de viabilidade, é certa a informação de que o Luaxe tenha um potencial superior ao da Sociedade Mineira da Catoca, quarto maior quimberlito do mundo. "Tudo passa pela adopção de uma estratégia que estimule os investidores estrangeiros, embora nada indique que investimentos angolanos não possam ser realizados no Luaxe", disse uma fonte junto do processo.
A volatilidade dos preços no mercado internacional, prosseguiu a fonte, pode estar a retrair os investidores, apesar do potencial da mina. A isto junta-se também as queixas sobre o ambiente de negócios no País. Segundo fontes da ENDIAMA a entrada em actividade do Luaxe abre caminho a que Angola venha a ter uma reserva considerável de diamantes, caso o mercado se mantenha saturado, como tem acontecido nos últimos anos.
Mesmo com estas condicionantes, a diamantífera estatal garante que é o momento de pôr a máquina a trabalhar e é do interesse do Estado que a geografia diamantífera tenha outra configuração com a entrada em funcionamento do Luaxe. "É o grande objectivo da ENDIAMA e o principal desafio da diamantífera e a parceira Alrosa, a "gigante" russa de mineração de diamantes. Os parceiros prevêem um investimento de mais de mil milhões USD na aquisição de meios técnicos, equipamentos e formação de quadros".
Reservas em alta
A mina, quando atingir o seu auge, pode ter uma produção anual de 6,5 milhões de quilates de diamantes, cerca de 75% da produção actual. Com reservas de 350 milhões de quilates e um tempo de vida útil de mais de 30 anos, pode, de acordo com alguns especialistas, posicionar Angola entre os três primeiros produtores de diamantes a nível mundial.
Os dados do Luaxe são ainda preliminares, mas a ENDIAMA e a parceira Alrosa estão confiantes num futuro promissor em termos de resultados, sendo esperado deste projecto um grande contributo para a diversificação da economia nacional, excessivamente dependente do petróleo. Os investimentos reclamados servirão para a montagem da mina e arranque das operações.
Em 2015, a administração da ENDIAMA liderada por Carlos Sumbula, na altura, previa que o início da produção se efectivaria entre o final de 2017 e o início de 2018. Sete anos depois, continua a luta para operacionalizar a Mina do Luaxe.
Recordar que a descoberta da mina tem as suas raízes em 2012, quando a ENDIAMA iniciou, com a Alrosa, o estudo científico de potenciais zonas diamantíferas e a respectiva prospecção. O objectivo era identificar e localizar a origem dos diamantes aluvionares explorados em Angola nos mais de 100 anos de história.
Angola é, actualmente, o quarto maior produtor mundial de diamantes, um sector que garante ao País uma receita bruta anual de 1,2 mil milhões USD, dos quais apenas 8% revertem a favor do Estado angolano. A alteração do quadro fiscal é outro dos grandes desafio do sector em Angola, um esforço que já foi começado pela tutela.











