Tribunais "travam" recuperação de 422,2 mil milhões Kz da RECREDIT
Os processos arrastam-se nos tribunais, sendo que por vezes demora-se mais de um ano só para citar as empresas. Tratam-se maioritariamente de grandes grupos económicos que teriam capacidade para honrar, pelo menos parte, das suas dívidas, mas que continuam por resolver.
A primeira carteira de crédito malparado adquirida pela RE CREDIT ao Banco de Poupança e Crédito (BPC) continua a revelar--se o principal bloqueio à estratégia de recuperação de activos da empresa pública, expondo não apenas os riscos associados à aqui sição destes créditos, mas sobretudo as fragilidades do sistema judicial angolano.
Dos 231,13 mil milhões Kz investidos nesta carteira, com um valor de exposição em dívida de 288,2 mil milhões Kz, com posta por apenas 28 processos, a RECREDIT conseguiu recuperar até ao final de 2025 apenas 28,97 mil milhões Kz, o equivalente a uma taxa de recuperação de 13%. São fundamentalmente proces sos de 6 grandes grupos económicos, sendo que 2 deles têm vindo a pagar parte das dívidas que tinham ao BPC através de acordos já feitos com a RECREDIT, mas quatro deles continuam sem pagar, sendo que os processos se arrastam na Justiça sem que a empresa perceba esta morosidade.
"Não é possível que os processos demorem anos nos tribunais, arrastam-se ao longo dos anos sem que se entenda bem porquê. Por vezes, demora mais de um ano só para as empresas serem citadas. Se os tribunais não cum prem o seu papel, é muito difícil recuperar as dívidas do BPC. Obviamente, nós também sabemos que uma parte nunca será paga", disse ao Expansão um elemento da administração da RECREDIT.
Na prática, a lentidão dos tribunais transformou-se num dos maiores obstáculos ao funcionamento da empresa. Uma sociedade criada precisamente para acelerar o saneamento do sistema financeiro acaba dependente de um aparelho judicial inca paz de acompanhar a velocidade exigida por operações desta dimensão. Enquanto os processos se prolongam, os activos associados aos créditos degradam-se, empresas desaparecem, patrimónios são reorganizados e o potencial de recuperação diminui drasticamente...











