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África

Agência africana de rating lançada nas Maurícias 10 anos após as primeiras conversas

AFCRA QUER OFERECER RETRATO DO MERCADO DE CAPITAIS MAIS FIEL E SEM VIÉS

Com sede em Port Louis, a AfCRA será "detida e controlada pelo sector privado", sendo excluída a participação accionista de governos, agências ou entidades estatais. Líderes da AfCRA são conhecidos nas próximas semanas

Após vários adiamentos, foi lançada oficialmente na quarta- -feira, 7 de Outubro, nas Maurícias, a primeira agência africana de notação de crédito, uma iniciativa da União Africana, apoiada por Angola, que visa "reforçar a presença de África no panorama global da classificação de crédito", oferecendo um retrato mais fiel do risco das dívidas soberanas do que aquele que é mostrado pelas "três grandes" agências de rating, acusadas de viés na classificação das economias do continente.

A Agência Africana de Classificação de Crédito (AfCRA), que ficará sediada em Port Louis, capital das Maurícias, pretende oferecer avaliações baseadas em dados e não em percepções enviesadas e vem "complementar e não substituir o trabalho das agências de notação de risco de crédito existentes", fornecendo "uma compreensão mais profunda dos mercados regionais e de moeda local". O objectivo final é reduzir os custos dos empréstimos às economias africanas, continente que, em 2024, teve custos com a dívida externa avaliados em 163 mil milhões USD, quase três vezes mais do que os 61 mil milhões USD que custava o serviço da dívida em 2010, como refere um folheto de apresentação da agência, lido pelo Expansão.

A AfCRA classificará entidades soberanas, instituições financeiras, empresas privadas e "segmentos do mercado que permanecem em grande parte sem classificação" no continente, onde o número de entidades classificadas "é actualmente inferior a 5% do total do mercado de capitais" africano, estimado no relatório de 2025 da Corporação Financeira Africana em 4 biliões USD.

A criação da Agência Africana de Classificação de Crédito permitirá, por exemplo, que as 23 economias africanas que não são avaliadas pelas três grandes agências de rating - Fitch, Moody"s e S&P Global - passem a ter uma classificação de crédito, o que facilitará o acesso aos mercados financeiros, contribuindo também para reduzir os custos que suportam para obter financiamento e cumprir o serviço da dívida.

Salvaguardar independência

No final de 2025, África tinha menos de 4.000 classificações de risco atribuídas pelas agências de rating, tanto internacionais como nacionais. Nesse ano, existiam 823.000 na União Europeia e mais de 2 milhões de notações de crédito nos EUA. Ao todo, existem nove agências de rating a operar em África, menos uma do que nos EUA. Já a União Europeia tem 29 agências de notação de crédito activas.

A AfCRA, criada pela União Africana uma década depois das primeiras conversas em 2017, operará de forma independente e será financiada através de capital dos accionistas e das suas operações. A agência será "totalmente detida e controlada pelo sector privado", sendo excluída da estrutura accionista a participação de governos africanos, agências governamentais ou entidades estatais.

"Esta estrutura foi concebida para salvaguardar a independência, a credibilidade e a integridade comercial da AfCRA enquanto agência internacional de notação de crédito", refere o folheto de apresentação da agência, sublinhando que o objectivo "não é elevar injustificadamente as classificações" das dívidas soberanas ou "reduzir artificialmente o risco percebido, mas sim fortalecer a qualidade da informação e análise disponível no mercado" e fornecer aos investidores "uma avaliação mais precisa, completa e contextualizada do risco de crédito".

A liderança da agência, que será anunciada nas semanas seguintes ao lançamento, seguirá os processos de governação e recrutamento necessários, sendo seleccionada com base na sua experiência e credibilidade no sistema internacional de classificação de risco de crédito. A composição do conselho será determinada através do processo de constituição, para garantir que nenhum accionista, emitente ou outra parte interessada possa influenciar indevidamente as decisões de classificação da AfCRA.

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