Egipto "desvia" o olhar do Médio Oriente para continente africano
Como afirmar África enquanto actor estratégico nos sistemas alimentares globais para desbloquear um mercado de 1 bilião USD é uma das questões discutidas no I Alamein Africa Forum, uma iniciativa a realizar no Egipto de dois em dois anos para conjugar as agendas do poder político com as do sector empresarial.
O Egipto reúne, em El Alamenin, os principais líderes políticos e empresariais africanos, numa cimeira empresarial, que se realiza de 2 a 4 de Outubro e que sinaliza a viragem do país para o continente africano, após décadas a "olhar" quase em exclusivo para o Médio Oriente e os países do Mediterrân Gravar e Fechar eo.
A edição inaugural do Alamein Africa Forum, uma iniciativa empresarial permanente com encontros bienais naquele país, reunirá mais de 20 chefes de Estado, entre os quais o Presidente de Angola, João Lourenço, e representantes dos sectores público e privado, para tentar conciliar as agendas políticas nacionais às dos líderes empresariais, numa altura em que a guerra no Médio Oriente levou os países a procurar novos mercados e novas alianças.
Além de reconstruir a sua influência em África, como sinaliza a AFP, o Egipto "procura também apoio na sua longa disputa" com a Etiópia por causa da Grande Barragem do Renascimento, "uma ameaça à sua quota vital das águas do Nilo" e um ponto de tensão entre os dois países. "Esta é uma plataforma africana", afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio para os Assuntos Africanos, Mohamed Abu Bakr Saleh, citado pela agência francesa, vincando a vontade de transformar estes encontros numa plataforma facilitadora de diálogo e de negócios entre as várias regiões de África, continente onde o Egipto tem investimentos avaliados em 14 mil milhões USD.
O evento é co-organizado pelo Governo do Egipto, o Afreximbank e a Agência de Desenvolvimento da União Africana - Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (AUDA-NEPAD) e, segundo os organizadores, pretende tornar-se no principal encontro onde a vontade do poder político se une à perspicácia empresarial.
Os eventos incluirão o Fórum Alamein África, a Cimeira dos Estados Fundadores da AUDA-NEPAD e a 8ª Reunião de Coordenação Semestral da União Africana. Além do anfitrião, Abdel Fattah El-Sisi, e de João Lourenço, estão confirmadas as presenças dos presidentes de África do Sul, Cyril Ramaphosa, da Argélia, Abdelmadjid Tebboube, do Quénia, William Ruto, do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, e do Gana, John Mahama.
Mobilizar parcerias
Entre os oradores dados como confirmados consta o angolano Agostinho Kapaia, fundador e CEO do grupo Opaia, nome que surge ao lado do homem mais rico de África, o empresário nigeriano Aliko Dangote, ou do CEO do grupo sul-africano MTN, o zimbabueano Ralph Mupita. Uma lista de 70 personalidades, que inclui ainda Corneille Karekezi, líder da Africa Re, a maior empresa de resseguros em África e a principal instituição pan-africana do sector, e o zambiano Mwiza Mseteka, chefe executivo da Plataforma de Desenvolvimento do Corredor do Lobito.
Mseteka participará numa sessão dedicada ao desenvolvimento de corredores logísticos, enquanto Agostinho Kapaia participará num painel que visa analisar como África se pode afirmar como actor estratégico nos sistemas alimentares globais, um sector com potencial para desbloquear um mercado agroalimentar de 1 bilião USD, e posicionar-se como importante motor de segurança alimentar e abastecimento mundial"...











