ANGOLA - O teatro do PIB | Campanha económica, manobras táticas e decisões estratégicas (2018–2025)
Angola venceu escaramuças conjunturais. A guerra do desenvolvimento, porém, reclama comando firme, disciplina estratégica e a arte suprema de converter crescimento nominal em supremacia económica sustentável.
O Produto Interno Bruto (PIB), a preços correntes, sintetiza o valor total da produção económica, sob o véu inflacionário. O Valor Acrescentado Bruto (VAB) exprime a riqueza efetivamente criada. A divisão em setores primário, secundário e terciário revela a estrutura produtiva e o posicionamento estratégico de Angola, enquanto consumo, investimento, exportações e importações definem a lógica operacional da procura.
Reconhecimento do terreno e fase defensiva (2018-2020)
"Em tempos de crise, a primeira regra é sobreviver" Joseph Schumpeter
Entre 2018 e 2020, Angola opera em postura defensiva, forçada por um ambiente hostil: retração real do PIB (-0,6%; -0,2%; -- 4,0%), choques petrolíferos adversos, severo ajustamento macroeconómico, escassez cambial e, finalmente, a irrupção pandémica - verdadeiro ataque assimétrico que paralisou cadeias de abastecimento e comunicações económicas. Neste período, o crescimento nominal do PIB funciona como fogo de contenção: inflação e depreciação cambial impedem colapso total, mas não permitem avanço decisivo. A economia limita-se a preservar posições.
Viragem estratégica e contra-ofensiva (2021-2024)
"Depois da sobrevivência, vem o crescimento" Michael Porter
A partir de 2021, o comando central redefine a estratégia e lança a contra-ofensiva económica.
O PIB a preços correntes avança de 53 278 para 101 911 mil milhões de kwanzas em 2024, acompanhado por recuperação real sustentada (2,1%; 4,2%; 4,4%). Esta manobra assenta num tripé estratégico: recuperação do preço do petróleo (superioridade de fogo), estabilização macroeconómica (segurança da retaguarda) e expansão vigorosa da procura interna (mobilização das forças domésticas). ~
Setor primário: a linha da frente dos recursos
"Os recursos são a base da vantagem competitiva" Jay Barney
O setor primário afirma-se como força de choque, quase quadruplicando no período. Petróleo e gás mantêm a primazia, enquanto agricultura e silvicultura emergem como manobra estratégica, impulsionadas por substituição de importações e maior procura interna. Pesca e diamantes reforçam a diversificação.
Setor secundário: a artilharia de sustentação
"A indústria é o coração da economia moderna" Friedrich List
O setor secundário avança com cadência controlada, mas firme. A indústria transformadora triplica, sinalizando uma reindustrialização progressiva, apoiada em políticas de conteúdo local e na recomposição da procura. Energia e água são infraestruturas críticas - linhas de abastecimento sem as quais a ofensiva colapsa. A construção, embora volátil, opera como instrumento anticíclico, permitindo manter atividade económica e emprego durante fases de maior instabilidade.
Setor terciário: o quartel-general do conflito económico
"As economias modernas vencem nos serviços" Daniel Bell
O setor terciário converte-se no verdadeiro quartel-general da campanha, expandindo-se e 12 644 para 42 063 mil milhões de kwanzas. Comércio, administração pública e outros serviços lideram a ofensiva, impulsionados pelo consumo privado, pela normalização institucional e pela urbanização económica. A intermediação financeira e os serviços imobiliários funcionam como mecanismos de alavancagem estratégica, ainda condicionados pela limitada profundidade do sistema financeiro.
Procura agregada: logística e linhas de abastecimento
"A procura cria o mercado" - John Maynard Keynes
O consumo privado lidera a dinâmica económica, garantindo tração sustentada.
O investimento cresce com prudência, condicionado por restrições financeiras. Exportações recuperam com o petróleo, enquanto importações revelam dependência externa persistente.
Síntese estratégica e soluções operacionais
"A estratégia sem execução é ilusão" Ram Charan
O período 2018-2025 descreve a transição de uma economia em recuo defensivo para uma economia em reorganização ofensiva, ainda ancorada no petróleo, mas já dotada de forças auxiliares em expansão.
A vitória duradoura exige agora decisões estratégicas claras:
01.Consolidar a retaguarda macroeconómica;02.Diversificar o dispositivo produtivo;03.Aprofundar a logística financeira;04.Comunicar a estratégia com credibilidade e coerência.Angola venceu escaramuças conjunturais. A guerra do desenvolvimento, porém, reclama comando firme, disciplina estratégica e a arte suprema de converter crescimento nominal em supremacia económica sustentável.













