"Gostava que os jovens angolanos se autodesafiassem, criassem projectos"
Natural de Cabinda, criou o projecto "Insólitos" para dar oportunidade às crianças de entrarem no mercado cinematográfico, destacando que em Angola existem crianças talentosas, iguais às que vemos no cinema internacional, porém, o País não investe na sua potencialização.
Gostava que fizesse uma breve apresentação do seu projecto
Nasci em Cabinda, estou em Luanda há cinco anos, vim para dar continuidade aos meus estudos.Actualmente, frequento o 3.º ano no curso de Gestão de Recursos Hu manos, no Instituto Superior Poli técnico de Ciências e Tecnologia. O projecto "Insólitos" é um grupo de representação ou criadores de conteúdo que existe há dois anos, criado para entreter os telespectadores, expandir os nossos trabalhos e o cinema angolano. O projecto é constituído por dois subgrupos: Os Supremos, adolescentes, e os Mini Insólitos, mais novos.
Quando começou o projecto? Onde e como surgiu?
Começamos em 2024 com os adlescentes. Mas neste momento demos prioridade aos mais pequenos pela necessidade de formação. Os adolescentes já são mais experientes, então decidimos formar os mais novos, e uma vez ou outra, gravamos. O projecto nasceu no município da Samba, zona do antigo controlo, onde a maioria reside. Já eu, moro no bairro Cassequel. Somos um total de 40 integrantes, sendo 25 adolescentes e 15 crianças.
É fácil trabalhar com esse número tendo em conta a faixa etária?
Não! Mas com paciência, dedicação e discernimento tudo se consegue. Na verdade, nada que envolve sucesso é fácil, é tudo uma questão de trabalho, disciplina e foco. Sempre gostei de trabalhar com crianças e acredito que essa paixão já nasceu em mim, desde mais nova que eu cuidava dos meus irmãos, primos e sobrinhos. Depois trabalhei como "babá" e isso alimentou a minha paixão por crianças. Lembro-me que na fase da adolescência já fazia ensaios de dança com os meus primos e, até criamos um pequeno grupo. Entretanto, sempre gostei de arte, e entrar para o mundo do cinema ou do audiovisual é um grande desafio.
O projecto está aberto para receber outras crianças?
No momento, não! Porque temos de nos preparar de receber novos membros. É uma grande responsabilidade trabalhar com crianças, por isso precisamos ter um espaço físico para poder fazer as apresentações, formar os meninos e só depois de estarmos bem organizados, poderemos enquadrar outras crianças. Nós ainda não temos um espaço próprio. Actualmente, ensaiamos em casa dos pais de um dos meninos.
Trabalha sozinha ou tem alguma parceria?
Tudo que aparece nas redes sociais é fruto do grupo. Trabalho com o meu parceiro, Hamilton Sapilinha, mas a maioria dos trabalhos sou eu que escrevo o roteiro e filmo com o meu telemóvel. Às vezes os meninos filmam porque eu também represento.
Todo o trabalho de filmagem é feito recorrendo a um telemóvel?
Sim! Até agora não temos nenhum parceiro nem solicitação de parceria, apenas fazemos por amor à arte. O projecto ainda não dá nenhum retorno financeiro e só continuamos porque é uma questão de nos autodesafiarmos. Portanto, todo o apoio que o projecto recebe vem dos pais dos meninos. Desde a indumentária, o espaço, o treinamento, até ao apoio financeiro e emocional.
Como escolhe os temas a ser abordados pelas crianças?...
















