Energia do Gove chega ao Sul e acelera integração da rede nacional
A entrada em operação da linha de transporte de energia a 220 kV entre o Gove e a Matala vai criar condições para uma nova dinâmica económica na Huíla e no Namibe.
Com mais de 213 quilómetros de extensão e capacidade de cerca de 682 MVA, a nova infra-estrutura permite transportar energia produzida no Aproveitamento Hidroeléctrico do Gove, no Huambo, até à Matala, integrando igualmente a Subestação do Lu bango Leste, responsável pela ali mentação da Subestação da Ferrovia, que assegura o forneci mento ao Namibe. Na prática, significa que municípios como Matala, Quipungo, Capelongo, Lubango, Humpata, Chibia, Bi
bala e Moçâmedes passam a ter acesso a uma energia mais estável e previsível, beneficiando directamente mais de 350 mil famílias. O impacto económico desta ligação vai muito além da melhoria do fornecimento doméstico. O Sul do País, sobretudo a Huíla e o Namibe, tem enfrentado nos últimos anos limitações estruturais de energia que condicionam o crescimento industrial, o turismo, a agricultura irrigada e mesmo a expansão urbana. A dependência da geração térmica implica custos elevados de produção, grande consumo de combustível importado e frequentes constrangimentos operacionais associados à logística de abastecimento de gasóleo.
Ao integrar o Lubango no Sistema Eléctrico Nacional (SEN) através de energia hídrica, o Executivo reduz progressivamente o peso das centrais térmicas. Embora o Governo raramente divulgue o custo médio real de geração por fonte, especialistas do sector lembram que a produção térmica a diesel pode custar várias vezes mais do que a hídrica, agravando os subsídios públicos à electricidade e aumentando a pressão financeira sobre empresas públicas como a ENDE, a PRODEL e a RNT.
A importância desta ligação ganha ainda maior dimensão quando enquadrada no plano energético nacional definido nos últimos anos pelo Executivo. Angola apostou fortemente na expansão da produção hidroeléctrica - com projectos como Laúca, Cambambe e Caculo Cabaça - mas durante muito tempo o problema esteve na incapacidade de transportar energia entre regiões. Ou seja, havia zonas com excesso relativo de produção e outras dependentes de sistemas isolados e caros.
O objectivo é criar um sistema verdadeiramente integrado, capaz de levar energia do Norte e Centro para o Sul e, posteriormente, permitir interligações regionais no quadro do Southern African Power Pool (SAPP), o mercado energético da África Austral.
Neste contexto, o projecto actualmente em curso da linha de 400 kV entre Belém do Dango, no Huambo, e a Subestação de Nom bungo, no Lubango, surge como peça complementar e estratégica. Com cerca de 343 quilómetros e conclusão prevista para 2027, esta infraestrutura deverá reforçar significativamente a capacidade e estabilidade da região sul, com impacto estimado para cerca de um milhão de consumidores. Mais do que reforçar o abastecimento interno, abre igualmente caminho à futura ligação energética à Namíbia e ao mercado regional da SADC.











