Incêndio no Kikolo destrói negócio de mais de 500 vendedores e expõe fragilidades na gestão do mercado
"Desde o incidente, a administração municipal de Cacuaco veio nos cadastrar e prometeu dar uma resposta em cinco dias. Até agora, nada", lamenta uma vendedora que perdeu tudo no incêndio. A direcção do mercado afirma não ter competência para se pronunciar sobre o assunto, remetendo para a Administração Municipal de Cacuaco.
Três semanas depois do incêndio que destruiu centenas de bancadas, deixando mais de 500 vendedores de madeira, portas e outros materiais de construção civil sem os seus negócios, no Kikolo, no município do Cacuaco, os comerciantes enfrentar enormes dificuldades para retomar as actividades. O incêndio provocou perdas incalculáveis e colocou centenas de famílias em situação de vulnerabilidade económica.
As vendedoras relatam que perderam todo o investimento acumulado ao longo de anos de trabalho. Muitas delas dependem exclusivamente da venda de materiais de construção para sustentarem as suas famílias. É o caso de Maria Eduardo, residente em Viana, que durante anos construiu um negócio avaliado em 12 milhões Kz, fruto de muito esforço e sacrifício.
Com o incêndio, viu todo o seu investimento desaparecer em poucas horas. Sem respostas da direcção do mercado e muito menos da Administração Municipal de Cacuaco, que prometeu ajudá- -las financeiramente pelos danos causados pelo incêndio, Maria foi obrigada a reinventar-se. Hoje recebe mercadoria de fornecedores para revender, conseguindo apenas 2 a 3 mil Kz por dia, valor insuficiente para sustentar a família e recuperar o que as chamas levaram.
A situação de Maria é agravada pela distância. Para chegar ao Kikolo, precisa de apanhar quatro táxis diariamente, enfrentando longas viagens e custos adicionais que reduzem ainda mais os seus ganhos. "É um sofrimento diário. Perdi o meu negócio e agora gasto quase tudo em transporte para tentar sobreviver", desabafou, deixando um lamento: "Ficámos sem nada. O fogo levou tudo o que tínhamos. Agora não sabemos como recomeçar".
O Expansão apurou, junto de uma fonte da direcção do mercado do Kikolo, que a Administração Municipal de Cacuaco procedeu ao cadastramento de todos os vendedores prejudicados pelo incêndio, com a promessa de disponibilizar um apoio financeiro que lhes permita retomar as suas actividades e continuarem a sustentar as famílias. No entanto, apesar da iniciativa, até ao momento, não houve qualquer resposta oficial da...











