Subsídios aos combustíveis disparam para 4,2 mil milhões USD este ano
Ao contrário do que acontece em Angola, a alta de preços dos combustíveis e a inflação nos mercados lá fora estão a abrandar as principais economias. Aqui, para já, afectará "apenas" os cofres públicos, já que o preço ao consumidor se mantém subsidiado e o câmbio está "preso" administrativamente
A factura com os subsídios aos combustíveis deverá crescer para 3,8 biliões Kz (4,2 mil milhões USD) este ano, mais do dobro do que os 1,7 biliões Kz (2,3 mil milhões USD) previstos no Orçamento Geral do Estado para 2026, de acordo com o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos. A confirmar-se este crescimento, disparam para 15,1 biliões Kz os gastos com subsídios aos combustíveis desde 2019, equivalentes a 21,4 mil milhões USD à taxa de câmbio médio de cada ano, de acordo com cálculos do Expansão.
Citado pela agência Reuters, Ottoniel dos Santos falava à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que decorreu na semana passada em Banguecoque, e admitiu que o crescimento dos preços provocado pelo conflito no Médio Oriente pode pressionar o Governo a acelerar a reforma aos combustíveis iniciada em 2023.
Essa reforma tem sido feita de forma gradual e lenta, devido ao receio das consequências económicas e sociais de uma redução mais rápida. É, por isso, urgente diversificar a economia e acelerar o crescimento económico.
"Por agora, está a ser feito assim, devagar. Mas, se houver alguma janela que possa ser aproveitada e se esperarmos que o impacto sobre os mais vulneráveis seja menor do que prevemos, então será fácil de implementar", admitiu Ottoniel dos Santos.
Depois de em Setembro, a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, ter avançado que é improvável que Angola elimine esses subsídios no próximo ano, o crescimento dos preços lá fora parece estar a pressionar ainda mais decisões que têm sido há muito adiadas no País em relação a este assunto. Embora a ministra não tenha avançado os motivos, percebe-se que estão relacionados com o aproximar das eleições gerais que decorrerão em Agosto.
O foco, adiantou, está em garantir um abastecimento adequado e expandir os programas de transferências monetárias para proteger os agregados familiares vulneráveis, em vez de voltar a aumentar os preços....











