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Angola

Inquérito mostra que 7 em cada 10 angolanos desconhecem subsídios aos combustíveis

APOIO À REFORMA DO SECTOR NÃO PASSA DOS 30%

Os resultados revelam uma consciência pública limitada sobre as políticas de subsídios aos combustíveis, baixos níveis de confiança no governo e falta de clareza nas comunicações governamentais.

Segundo um estudo do Banco Mundial, que incluiu um inquérito de opinião a cerca de 600 pessoas, apenas 29% dos participantes tinham conhecimento da existência de subsídios aos combustíveis em Angola, apesar de o governo ter gasto 3,7% do PIB, em 2023, para manter os preços abaixo do custo de mercado.

Para além do desconhecimento sobre a realidade do País, apenas 22% dos inquiridos acreditavam que o governo tem vindo a tomar medidas adequadas para reduzir o custo de vida e apenas 10% consideravam que as comunicações do governo eram claras e informativas sobre a reforma dos subsídios.

Muitos dos inquiridos, inde pendentemente do género ou lo calização, consideraram as men sagens do governo pouco claras e insuficientes para responder às preocupações do público e tam bém referiram que o governo não considerou adequadamente "os potenciais impactos da reforma e não se mostrou receptivo ao feedback dos cidadãos, sendo esta percepção particularmente forte entre o sexo masculino".

Os participantes salientaram que o governo deveria ter comunicado a reforma com o mesmo alcance e clareza das campanhas eleitorais, quando a comunicação chega activamente às áreas mais remotas, ou durante a pandemia da Covid-19, quando mesmo aqueles com educação limitada compreenderam a situação e os objectivos do governo.

Estes indicadores reforçam a importância de um planeamento cuidadoso, comunicação transparente e da implementação de medidas de mitigação abrangentes, como estratégia para cativar o apoio público às reformas dos subsídios e a qualquer reforma em geral. "Uma comunicação eficaz e uma compensação atempada são essenciais para o sucesso da implementação da reforma", defendem os autores. O inquérito, feito em 2024, após a primeira fase da reforma dos subsídios aos combustíveis, também recolheu as opiniões obtidas em grupos de discussão, com o envolvimento de 30 pessoas.

O desconhecimento sobre os subsídios aos combustíveis também remete o debate sobre as políticas públicas de informação e a forma como os órgãos públicos de comunicação social (não) abordam os temas mais sensíveis para a governação, limitando o acesso a informação precisa e de qualidade.

O sentimento de rejeição atira a maioria das pessoas, sobretudo os mais jovens, para as redes sociais e outros formatos também duvidosos. "Inicialmente, os esforços de comunicação centraram-se em conferências de imprensa para anunciar a medida e as iniciativas de mitigação, na participação em programas de rádio e televisão e em reuniões com vários grupos, incluindo associações, ONG"s, igrejas e organizações juvenis.

Houve também algumas iniciativas nas redes sociais com jovens influenciadores angolanos", sublinham os autores do estudo. Mesmo assim, a reacção da sociedade foi esmagadoramente negativa, tendo-se registado protestos com vítimas mortais e danos materiais, com especial gravidade no final de Julho do ano passado.

Também a estratégia de comunicação foi perdendo gás ao longo do processo, segundo o Banco Mundial: "Os angolanos tomaram conhecimento da alteração nos preços principalmente através dos meios de comunicação social, sem qualquer mensagem explicativa sobre os objectivos da reforma".

Impactos negativos Liderados pelos departamentos de Política Económica, Pobreza e Equidade e Protecção Social e Trabalho do Banco Mundial, o estudo identifica estratégias que podem alterar a opinião pública e analisa variações no apoio com base na área de residência e no género dos inquiridos.

Entre os resultados mais significativos, mais de 80% dos inquiridos acreditavam que o seu agregado familiar tinha direito a receber subsídios aos combustíveis, enquanto a larga maioria (83%) acreditava que a redução dos subsídios poderia levar a uma aceleração geral dos preços em Angola. 70% concordou que os subsídios aos combustíveis têm um grande impacto ambiental e outros 70% concordaram que os agregados familiares mais ricos beneficiam mais deste tipo de políticas do que os mais pobres.

No entanto, apenas 36% concordaram que a redução dos subsídios aos combustíveis poderia melhorar a economia e levar à criação de emprego. "Isto sugere que muitos dos inquiridos não associam a reforma dos subsídios ao potencial de reafectação de recursos para ob jectivos de desenvolvimento mais amplos", consideram os autores do estudo.

Leia o artigo integral na edição 868 do Expansão, sexta-feira, dia 20 de Março de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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