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Angola

Clientes trocam, por via ilegal, do pré-pago para pós-pago para fugir a pagamentos

ENDE ALERTA PARA ILEGALIDADE

A troca do sistema está a ser feita a partir das caixas de contadores eléctricos afixados nos postes nas ruas de vários municípios. A ENDE reconhece que tem conhecimento desta prática e avisa que alteração do sistema de contagem fora do seu controle é fraude e constitui um crime punido por lei.

Clientes da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) de vários municípios de Luanda, sobretudo no Cazenga, Viana, Cacuaco e Kilamba Kiaxi estão a trocar de forma ilegal o sistema de energia de pré-pago para pós-pago, uma troca que é encarada pela empresa como uma forma de fugir aos pagamentos de energia.

A troca do sistema está a ser feita a partir das caixas de contadores elétricos afixados nos postes nas ruas. Os vizinhos electricistas e, noutros casos, os agentes das agências autorizadas da ENDE espalhados pelos bairros são os profissionais que fazem a denominada "ligação directa" a troco de uma "gasosa" que varia entre 7 a 10 mil Kz.

A diferença entre os sistemas é que o pagamento do consumo do pós-pago tem de ser efectuado independente do consumo, enquanto no pré-pago o cliente paga somente aquilo que vai consumir. E ao que o Expansão apurou, a principal motivação para a troca do sistema pré-pago pelo pós-pago está relacionada com a intenção de fuga ao pagamento do consumo de energia e também pelas constantes avarias que os contadores da ENDE apresentam, que que nos pré-pago por vezes se torna uma autêntica dor de cabeça voltar a ligar a energia após uma quebra geral do fornecimento de electricidade.

Assim, esta prática de recorrer a terceiros para mudar o sistema de energia das residências vai cada vez mais ganhando corpo nos bairros de Luanda, contrariando assim as intenções da ENDE de descontinuar a comercialização dos pós-pagos, ao migrar 97% dos seus clientes para o pré-pago.

Mário da Costa, 48 anos, morador do município do Cazenga, admite que já fez a troca do sistema pré-pago pelo pós-pago, por acreditar que poderá pagar o consumo de energia apenas depois de três meses, aproveitando-se da desorganização da própria empresa ao nível das cobranças. "Com o sistema pós-pago posso pagar a energia quando quiser e não como era no pré-pago, que tem de se pagar assim que a energia acaba e, muitas vezes, estamos sem dinheiro para comprar a recarga e acabamos por passar a noite sem energia", admite.

O cliente, que solicitou ao vizinho para efectuar o serviço, revelou que boa parte das trocas estão a ser efetuadas pelos próprios agentes da ENDE em troca de uma "gasosa". O serviço acontece normalmente aos domingos no horário considerado "morto", para os que não são técnicos da ENDE.

Para outra moradora do Cazenga, Maria Custódio, de 32 anos, a razão dos clientes trocarem o pré- -pago pelo pós-pago também está muito relacionado com os sucessivos problemas ou falhas que os contadores da ENDE apresentam. "Os contadores da ENDE falham muito e há situações em que o vizinho tem energia e o outro não tem porque descomandou o contador e para reparar temos de estar atrás dos agentes, mas no pós-pago não há esse problema", lamenta.

Apesar de alguns clientes terem admitido ao Expansão que após a mudança do sistema ainda fazem os pagamentos, muitos outros admitiram que deixaram de o fazer. "Boa parte dos vizinhos trocaram e não pagam a energia. Mas nós costumamos pagar, pois o meu esposo tem feito todos os meses o pagamento da energia no valor de três mil kz", conta a Maria Custódio.

Como é o caso de António Pedro, morador no Tala Hady, que admite que não tem pago a electricidade desde que fez a troca. "O vizinho que fez o trabalho disse que é uma ligação directa e que não está a ser contabilizado na ENDE, então não vejo a necessidade de pagar a energia. Por exemplo, desde Novembro que não pago. Talvez nos próximos meses irei pagar", sublinha.

Qualquer alteração sem o consentimento da ENDE é crime

A ENDE reconhece ter conhecimento desta prática e adianta estar a fazer um combate cerrado a todos os clientes que incorrem estas práticas, sobretudo os de Luanda, por ser a província com maior número de clientes.

De acordo com Salvador Neto, da direcção comercial da ENDE, a troca de um sistema de contagem só é possível por razões técnicas ou logísticas e sob controlo da ENDE, não acarretando custos para os clientes. "Qualquer outra alteração do sistema de contagem fora do controle da ENDE é fraude e constitui um crime punido por lei", revela.

Leia o artigo integral na edição 761 do Expansão, de sexta-feira, dia 02 de Fevereiro de 2024, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)