"A obra foi editada e impressa aqui com o contributo de vários amigos"

"A obra foi editada e impressa aqui com o contributo de vários amigos"
Foto: César Magalhães

O que revela a obra "O Incesto Real"? É um romance histórico. Não é um livro de história, mas também não é um livro de ficção no vazio.

Percorre um período longo da história do nosso País, cerca de 500 anos, tem muitos personagens que constituem duas linhagens diferentes que durante 500 anos não se encontram, mas que ao fim desse tempo acabam por se encontrar. É a história destes personagens que permite fazer história e ir contando os diversos períodos por que passam estes personagens. No fundo é isso.

Quanto tempo levou a composição das histórias?

O tempo para compor as histórias não é assim tão longo. Mas para fazer a obra toda, o tempo torna-se muito longo. Há várias paragens, indecisões, há caminhos que a gente está a seguir depois desilude-se um pouco e pensa, a quem é que isto vai interessar? Então, perde-se muito tempo.

Tinha marcado o lançamento para esta fase ou foi a Covid-19 que alterou os planos?

A Covid-19 baralhou. O prazo que tínhamos era para Março de 2020. Mas começou a história da Covid-19 e foi uma grande complicação. Felizmente, o período da Covid foi bom para mim, porque fiquei com um pouco mais de tempo, permitiu-me terminar definitivamente a obra, depois é uma questão de fabricação da obra que é editada aqui, tem o contributo de várias pessoas, muitos deles são amigos. Trabalharam, por exemplo, na capa que eu acho particularmente bonita, é da autoria do Tiago Mena Abrantes. A obra foi imprensa também numa tipografia local.

Isso quer dizer menos oneroso?

Mais fácil e mais oneroso no seu conjunto, devido a tudo o que se faz. Mas a obra, no seu todo, não fica muito dispendiosa.

É o primeiro autor a ser editado pela editora do Ondjaki, seu filho. O facto de ser a primeira escolha tem um significado especial para si?

Não necessariamente. É a primeira obra da colecção da Kacimbo, aconteceu assim. Era mais fácil, fica tudo em casa. O que leva o Ondjaki a criar a livraria Kiela e a editora Kacimbo, é também este período da pandemia, que não permite muitas coisas.

Já tinha lançado o "Vaicomdeus SARL". Gostou da experiência e decidiu repetir?

Os livros estão aí. Mas este livro só começa a existir agora, quando as pessoas começam a ler, porque se não houver leitores, o livro não serve para nada. O "Vaicomdeus SARL" teve muito boa aceitação quando saiu, pelo jeito, pelo humor que contém, tal como na obra "O Incesto Real", que torna mais digerível a leitura. Às vezes é uma leitura enfadonha, que chateia. Mas se utilizarmos técnicas de humor, mesmo parecendo ridículo, torna-se mais fácil de ler.

Também já escreveu para o teatro, a peça "Os Pioneiros do Futuro", em 1974.

Isto foi no princípio. Em 74, quando estávamos na guerrilha, junto com a senhora que hoje é minha esposa,.

Se tivesse que voltar a escrever seria para teatro, romance ou contos?

Seriam contos. Histórias pequenas com objectivo bem definido. Nem o autor nem o leitor se perdem.

Sente saudades dos microfones da rádio?

Não! Saudades não! Não sinto saudades, tenho é lembranças. Saudades parece que a gente está agarrado àquilo, que quer continuar a fazer. Não! Lembro-me é perfeitamente. Agora, voltaria a fazer a mesma coisa se estivesse naquelas circunstâncias, outra vez.

Pela importância do comandante Jujú na história recente de Angola, este livro é, de alguma forma, um registo biográfico? Não apenas inspirado na sua história pessoal mas em histórias que testemunhou?

Registo biográfico nalgumas coisas. Este livro tem muitos personagens que são compostos de vivências. Tenho personagens como a dedicatória diz: este livro é dedicado a todos aqueles que ao lerem dirão, "mas este fui eu". Quer dizer que há recorte de personagens com que várias pessoas se podem identificar. São partes. Por vezes as pessoas não têm a mínima ideia de como é que as coisas foram, como foi o País que deu origem a este País de hoje.

(Leia o artigo integral na edição 607 do Expansão, de sexta-feira, dia 15 de Janeiro de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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