Negociações sobre mega-projecto avançam no Brasil
Uma delegação do Governo angolano, liderada pelo secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolas, Domingos Vieira Lopes, terminou ontem, 12, uma visita à capital do Brasil, Brasília, para negociar com o Ministério da Agricultura e Pecuária daquele país os termos do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola, que visa apoiar o desenvolvimento do agronegócio em Angola e atrair cerca de 20 empresários brasileiros de grande dimensão e experiência.
De acordo com fontes do Ex pansão, as negociações correram bem, com boa vontade dos dois lados e alguns avanços na questão do financiamento. O mega-projecto, que inclui da parte angolana a cedência de 500 mil hectares de terra na região do planalto de Camabatela (Cuanza Norte), apoio fi nanceiro, segurança jurídica e a emissão de garantias que ali viem os riscos associados ao investimento, pretende estimular a iniciativa privada brasileira em Angola e alargar a cooperação técnica e comercial entre os dois países.
Os grupos empresariais brasileiros interessados em investir em Angola são provenientes dos estados de Mato Grosso e Bahia. Um grupo de investidores brasileiros que já actua em Angola também demonstrou interesse em aderir ao programa.
Segundo a proposta do governo do Brasil, os produtores comprometem-se a produzir grãos, cereais e sementes em Angola, com a fase-piloto do programa avaliada em mais de 124 milhões USD, com 45% de financiamento brasileiro. Tal como o Expansão noticiou em Janeiro, o Governo angolano tem até Abril para responder à proposta, devido ao calendário eleitoral nos dois países, mas sobretudo no Brasil, que realiza eleições presidenciais já no mês de Outubro de 2026.
O processo eleitoral tem impacto directo nas conversações porque a lei brasileira impõe restrições aos governantes que se candidatam a posições relevantes, como é o caso do actual ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, que vai concorrer ao lugar de senador pelo estado de Mato Grosso e terá de deixar o ministério nas próximas semanas, o que poderá ter efeitos negativos na aprovação e implementação do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola.










