"As políticas têm que sair dos gabinetes e dinamizar a acção"

"As políticas têm que sair dos gabinetes e dinamizar a acção"
Foto: César Magalhães

Cineasta e encenadora, apostou na construção da Casa das Artes, um projecto que fomenta a arte e a cultura no nosso País. Explica que as políticas culturais têm de estar adaptadas à realidade social do País e não às paredes dos gabinetes.

As artes e os espectáculos culturais continuam a ser dos sectores mais penalizados com as medidas de combate à pandemia. Hoje, a situação começa a "abrir" e os artistas e fazedores de cultura começam a retomar o trabalho. A realidade de Maria João Ganga não é diferente. Como está a situação na Casa das Artes?

Felizmente começamos a saber lidar com a pandemia e paulatinamente recomeçamos a trabalhar. A Casa das Artes reabriu. Mas é tudo muito lento e estranho...

E está exclusivamente na Casa das Artes?

Em termos profissionais, sim. A um ritmo de trabalho normal a Casa das Artes ocupa-me o meu tempo inteiro. É um projecto grande, requer muito acompanhamento, mesmo com a "super" equipa que tenho, há sempre muito que fazer. Por vezes a falta de meios faz-nos perder muito mais tempo...

O principal objectivo é fomentar as artes no País?

Um dos propósitos é mesmo o de fomentar o contacto, a aprendizagem e a inclusão da arte nas nossas vidas. Sabe, uma experiência como esta, de fazer nascer um espaço cultural e edificá-lo, é realmente uma prova em todos os sentidos. Descobrimos muito de nós e muito dos outros...

Funciona um pouco como laboratório?

Claro que sim, é um laboratório! Uma experiência como esta comprova-nos que os extremos, realmente, se tocam. E tocam-se! Temos momentos fantásticos e momentos muito difíceis, encontramos gente muito bonita e gente muito feia...

Mas já tinha experiência nesta área?

Está a referir-se ao Projecto Ulikanga, que iniciei no Elinga Teatro. O desafio é o mesmo, começar pelos mais novos, e através da arte fornecer-lhes elementos úteis na sua vida futura. Elementos como a determinação, a disciplina, o respeito e aceitação do outro...contribuir para que tornem o mundo num lugar melhor para se estar.

Recebe algum apoio do Estado para a Casa das Artes?

Não recebo nada! Sabe, neste contexto actual até entendo que não haja fundos para atribuir a um projecto como o meu. Mas o projecto da Casa das Artes começou há muito tempo atrás. Nesse
atrás, esbanjava-se dinheiro em porcarias de projectos que de cultural ou artístico, nada tinham! Era verdadeiramente chocante! Fiz esta casa com financiamento bancário e com fundos próprios. O Estado não me deu nada! Nem atenção! Muita gente a quem pedi apoio e tentei envolver neste projecto da Casa das Artes, só começaram a demonstrar interesse, depois da visita da nossa primeira dama e do presidente da República. Até parece uma comédia...de mau gosto!

Quais são as principais dificuldades que encontra no dia-a-dia?

Num projecto como o da Casa das Artes, as principais dificuldades são obviamente de ordem financeira e material . Uma grande dificuldade também é em termos humanos, e essa é infalível quando temos um interlocutor que tenta dificultar o desenvolvimento do projecto, sobretudo porque é incompetente ou tem mau carácter. Encontramos muitas espécies deste género na função pública. Quando escrever as minhas memórias, vou dedicar um capítulo a este tema. (risos).

(Leia o artigo integral na edição 611 do Expansão, de sexta-feira, dia 12 de Fevereiro de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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