"A paciência é uma arma poderosa para os sábios e os criativos"

"A paciência é uma arma poderosa para os sábios e os criativos"
Foto: D.R.

Artista de múltiplas valências, assume que não é perfeita, mas lembra que não consegue conter a sua criatividade. Em entrevista ao Expansão, reconhece que "é no meio da minha desorganização do atelier que encontro a minha total ordem" e fala da arte no nosso País.

Todos os artistas ficaram marcados pelo confinamento exigido em período de pandemia. Para si o que é fica deste período?

Com as condições impostas pelo Covid-19, apreendi que o ar que respiramos é uma benesse e deveríamos ser gratos todos os dias. A paciência é uma arma poderosa para os sábios e criativos. Os bens materiais não valem nada sem saúde. O abraço é uma das maiores demonstrações de afecto do ser humano para com o seu semelhante. Entendi o quanto somos frágeis e vulneráveis. A valorizar o silêncio e a observação. A ler expressões por debaixo de uma máscara.

Na relação com os seus filhos também ficam algumas lições.

Como mãe entendi que para momentos difíceis são necessárias medidas difíceis. A disciplina, o amor e o diálogo foram, e têm sido, primordiais para nós.

Como concilia as vertentes mãe-esposa-artista?

Como vê a combinação de tarefas não é fácil, mas garanto-lhe que não é impossível. Para cada tarefa, Deus tem dado a sua graça. Hoje para a execução de cada tarefa tento não ser excepcional, mas sim normal, tornando cada uma delas prazerosa, sendo eu mesma.

Qual delas considera a mais e a menos beneficiada?

Felizmente evoluí quanto à autocrítica neste sentido. Hoje sei que não sou perfeita, mas que sou capaz de desempenhar a cada uma delas, com a graça e discernimento divino. Para cada uma delas existem etapas ou períodos para serem desenvolvidos, e é desta forma que as tenho gerido sem deixar nenhuma delas para trás.

Olha para si como artista?

Com artista vejo-me como um ser "criativo clássico" na forma brutal da sensibilidade, com habilidades expressivas, e criando permanentemente diálogos com o público e a natureza.

Como é saber que pode contar histórias com uma tela e um pincel?

Fantástico. Porque nela codificadamente expresso-me, e só a decifro a quem pretendo e como pretendo, (risos). É o meu mundo fora do mimeticamente enigmático, é uma loucura racional.

Como se sente quando está no seu atelier?

Depende do momento. Vezes há que vejo-me rodeada por sucata e restos de objectos desnecessários, por outra sinto-me estar no meu lugar harmónico do ser, e que cada um dos objectos acumulados de recolha, são observações pessoais e valiosas, na qual mas ninguém teve o privilégio de ver, e que ali estão para eu as dar o seu devido valor, no tempo certo. Porque é no meio da minha desorganização de atelier que encontro a minha total ordem.

É capaz de colocar limites às suas criações?

Nunca, mas consigo facilmente delimitar a minha produção e manter parte da criação cá dentro. Sou totalmente incapaz de conter a minha criatividade, tudo funciona como uma máquina de captação automática dentro de nós, totalmente inevitável. A única coisa que posso realmente fazer é desacelerar a produção, enquanto "rumino" cada criação dentro de mim.

(Leia a entrevista integral na edição 613 do Expansão, de sexta-feira, dia 26 de Fevereiro de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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