Moscas e moscardos

Moscas e moscardos

Esta coisa do lixo ainda não acabou. As moscas mantêm-se. Aliás, são mais, circulam à volta de todos nós, cidadãos, ganham espaço na cidade, algumas são as mesmas, as que já conhecíamos, outras parecem novas, têm um brilho verde no corpo.

O que me parece é que estas novas têm uma maior voracidade, uma vontade enorme de pousarem em qualquer lugar, são menos selectivas e têm menos vergonha. Também se nota que são menos experientes, mas como nesta altura beneficiam de uma certa impunidade, uma vez que o maior combate é contra as moscas que já existiam, acabam por crescer mais rapidamente.

Curioso também é que estas moscas escolhem rotas novas para circular, não querem parecer do passado, mas em alguns momentos acabam por misturar-se todas. Enquanto não acabarmos com o lixo, por enquanto é o mesmo, vão continuar a nascer, engordar e multiplicar-se. Há sempre a possibilidade de usar um insecticida verdadeiramente eficaz, como foi prometido, mas na verdade penso que muitos de nós já perdemos a esperança nessa solução.

Houve tempos em que sentíamos menos a presença das moscas, talvez houvesse um maior cuidado em expor o lixo, maior controlo destes insectos voadores, mas nos últimos meses esta população aumentou. E nas últimas semanas regressaram também alguns dos moscardos que já conhecíamos, alguns aos mesmos locais onde costumavam estar, mas outros com novas rotas e novas habilidades.

O que parece indiscutível é que voltaram mais fortes, ou pelo menos parece. Mas o ruído do "zum zum" é o mesmo. E, tal como acontecia no passado, não passa indiferentes à nossa actividade do dia-a-dia. Sentimos que voltaram, alguém faz questão que todos percebamos isso mesmo. Não sei se com carácter intimidatório, como prenúncio do caos ou apenas por feitio. Porque são assim, ponto!

É importante alguém explicar a estes moscas novas, que parecem eufóricas com a chegada dos moscardos, que embora pareça que o lixo que chega para todos, vão ter de partilhar algumas das coisas que assumiam já como conquistas suas. Espaços, locais, rotas, alimentos. Na possibilidade de não se entenderem, de terem uma relação conflituosa, lá vão voltar a incomodar o cidadão comum, que terá mais um motivo para circular pouco, para além da pandemia. Isto porque para quem não faz parte deste universo, não se sente confortável com este cenário. Tem características próprias, regras que só os próprios entendem e acham lógicas, mas, no final, temos todos de viver juntos. Nós e as moscas!

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