Análise de risco agrava exposição do País ao financiamento do terrorismo
As principais fragilidades não decorrem apenas da ausência de leis ou instituições adequadas, mas de insuficiências nos mecanismos de controlo e de análise dos movimentos financeiros. Um ano e meio após a entrada na "lista cinzenta" do GAFI, o cenário permanece desafiante, apesar de o governo admitir a saída do índice em Janeiro de 2027.
A ameaça à prática de crimes de financiamento do terrorismo em Angola subiu de Médio-Baixo, em 2023, para Médio, em 2025, de acordo com a análise de risco divulgada pela Unidade de Informa ção Financeira (UIF), classificação que pode ter efeitos negativos na percepção sobre o País e a qualidade das instituições.
A análise realizada pela UIF também avaliou as ameaças associadas ao branqueamento de capitais, mantendo a classificação de risco Médio-Alto. O agravamento apurado em 2025 decorre, por um lado, da "existência de ameaças externas e transnacionais relevantes", as sociadas a organizações terroristas activas na região e a redes internacionais de financiamento, e, por outro, de "vulnerabilidades estruturais ainda presentes em determinados sectores e mecanismos nacionais de controlo".
Segundo a UIF, "o nível dos esforços de mitigação não é suficiente em Angola", que não cumpre "a maioria dos critérios" ou a sua aplicação "é classificada como insatisfatória ou fraca". "Melhorias significativas são necessárias para aprimorar o quadro regula tório e o nível de eficiência das medidas de mitigação relaciona das à transparência".
Os indicadores que justificam o agravamento da classificação ao nível do financiamento ao terrorismo apontam, segundo a análise de risco divulgada pela UIF, para um nível crescente de ameaça terrorista devido à radicalização de cidadãos angolanos por via da internet e das redes sociais, existência de comunidades de cidadãos provenientes de zonas de forte incidência de actividades terroristas, presença de imigrantes ilegais e de agentes comerciais cuja idoneidade é duvidosa e criação de infraestruturas de apoio financeiro a gru pos terroristas (ver infografia).
"Embora o contexto doméstico apresente um nível de ameaça relativamente baixo, a exposição aos fluxos financeiros internacio nais, à integração económica regional e aos sectores com diferentes graus de formalização contribui para a manutenção de um risco residual que não pode ser desconsiderado", assinala a UIF.
A classificação de risco Médio "traduz um equilíbrio entre os progressos alcançados no sistema nacional de prevenção e combate ao financiamento do terrorismo e a necessidade de continuar a reforçar as capacidades operacionais e de supervisão das instituições", embora a UIF não faça referência específica ao agravamento da classificação.
O princípio geral da abordagem baseada no risco indica que os países devem exigir que as instituições analisem as operações praticamente caso-a-caso, criando perfis de actuação consoante o contexto e a origem dos fundos e dos promotores de movimentos financeiros. Este tipo de actuação implica objectividade e coerência de au toridades e reguladores, independentemente do perfil dos clientes, realidade que é bem conhecida em Angola, onde as regras e os procedimentos são utilizados de forma arbitrária, consoante o nível de poder e a capacidade económica dos envolvidos.
As restantes vulnerabilidades assinaladas, presentes tanto no relatório de 2023 como de 2025, estão associadas à persistência do sector informal da economia, limitada integração tecnológica entre entidades, necessidade de maior eficiência na execução das sanções financeiras específicas e no acesso à informação sobre os beneficiários efectivos.









