"Gostaria de estar quatro passos mais à frente"

"Gostaria de estar quatro passos mais à frente"
Foto: D.R.

É cantor há mais de três décadas e tem preferência pela língua nacional tchokwe para passar a sua mensagem cantada e transmitir toda a sua emoção. Acredita que ainda tem um longo caminho a percorrer e, apesar de reconhecer que se voltasse atrás faria várias coisas de outra maneira, não está arrependido da profissão que escolheu.

Em 2020 cantou "Cabinda" por ter sido lá que iniciou a carreira na música enquanto cumpria serviço militar. Que lembranças tem daquela altura?

Fica sempre a saudade de um tempo em que fazíamos tudo por amor, porque gostávamos de o fazer e sentíamo-nos na obrigação de animar os nossos colegas. Fica a saudade, a lembrança de ter compartilhado os palcos com os colegas cubanos. De uma grande diversão, de termos feito coisas bonitas sem compromisso. A grande lembrança de ter conseguido tocar quase todos os instrumentos e hoje estou limitado apenas à guitarra.

Canta na língua nacional tchokwe. Que valor dá ao uso das línguas nacionais?

As nossas línguas são tidas como secundárias em todas as esferas. Mas julgo que, enquanto africanos e, digamos, de alguma região, devemos valorizar a nossa forma de expressão. A música, por exemplo, flui de uma forma natural nas nossas línguas. Nas outras também se pode fazer coisas bonitas, mas não com a mesma alma, como com tchokwe, umbundo, enfim. Precisamos de ter "amor próprio", temos de olhar para as nossas línguas como olhamos para o inglês, português e outras línguas que vão tomando conta do que somos. Há hábitos e costumes que só fazem sentido nas nossas línguas.

Enquanto militar, havia mais certezas ou dúvidas de que Angola alcançaria a Paz?

Na verdade, enquanto militar, sempre tive fé, certeza de que tarde ou cedo alcançaríamos a Paz. Fui disponibilizado, passei à reserva em 1990 e é minha característica manter a esperança sempre viva, saber sempre que o amanhã será melhor. E em 2002 resolveram- se e alcançámos a paz. Agora temos o desafio de construir um País melhor, cada um deve construir um País sem grandes assimetrias, um País igual para todos, onde cada um possa defender a sua imagem e angolanidade, a coesão, e aquilo que somos.

(Leia o artigo integral na edição 627 do Expansão, de sexta-feira, dia 04 de Junho de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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