Haaland e Yamal no topo de um mercado onde África ganha valor
Erling Haaland e Lamine Yamal aparecem agora no topo dos jogadores mais valiosos do mundo, ambos avaliados em 220 milhões EUR, à frente de Kylian Mbappé, nos 200 milhões. Mas a fotografia de Setembro mostra que, mais do que os valores absolutos, são as valorizações e desvalorizações que revelam como o mercado está a mudar.
Entre os 20 mais valiosos, Michael Olise, Vitinha, Khvicha Kvaratskhelia e João Neves protagonizam algumas das maiores subidas. João Neves chega aos 140 milhões EUR, depois de uma valorização de 60 milhões desde o início de 2025/26, o mesmo ganho absoluto de Vitinha. Os dois portugueses, juntamente com Kvaratskhelia, ajudam a explicar a presença particularmente forte do Paris Saint-Germain entre os activos mais caros do futebol. Mais impressionante é Elliot Anderson, agora avaliado em 110 milhões EUR, depois de ter multiplicado várias vezes o valor que apresentava no início da época anterior. Morgan Rogers segue a mesma tendência.
É uma demonstração de como idade, desempenho e procura dos grandes clubes podem alterar rapidamente a avaliação de umjogador. No extremo oposto aparecem nomes que continuam entre os mais caros, mas perderam valor. Rodri lidera as maiores quedas absolutas, de 110 para 50 milhões EUR, menos 60 milhões, enquanto Bellingham, Rodrygo, Bukayo Saka, Florian Wirtz e Federico Valverde também registam correcções significativas. Vinícius Júnior, apesar de continuar avaliado em 140 milhões, perdeu 30 milhões. Não significa necessariamente perda equivalente de qualidade: idade, lesões, rendimento recente, duração do contrato e concorrência na posição também entram na equação.
África tem um novo fenómeno
A maior curiosidade dos gráficos vem, porém, de África. Yan Diomande, costa-marfinense de apenas 19 anos, passou de 1,5 milhões para 90 milhões EUR, uma valorização de 88,5 milhões. É a maior subida absoluta entre os jogadores analisados e transforma-o no africano mais valioso, à frente de Achraf Hakimi, Antoine Semenyo e Ayyoub Bouaddi, todos avaliados em 80 milhões. O crescimento africano estende-se a Bouaddi, com apenas 18 anos, valorizou cerca de 186%, Ibrahim Maza passou para 45 milhões, uma subida de 275%. Iliman Ndiaye mais do que duplicou a avaliação e Bazoumana Touré também apresenta uma valorização superior a 100%.
Há igualmente uma mudança geracional. Mohamed Salah, durante anos a grande referência africana no mercado internacional, surge agora entre os jogadores com mais de 30 anos e avaliado em 22 milhões EUR. Victor Osimhen mantém-se entre os africanos mais valiosos, com 75 milhões, mas a nova geração já está a ocupar o espaço que durante muitos anos pertenceu a Salah, Mané e Mahrez.
França lidera
A comparação dos dez jogadores mais valiosos de oito países ajuda a perceber onde está concentrado o talento mais caro. A França lidera, com os seus dez primeiros avaliados em conjunto em cerca de 1.075 milhões EUR, seguida da Inglaterra, com 1.020 milhões. Espanha chega aos 895 milhões, Portugal aos 775 milhões, Brasil aos 750 milhões e Argentina aos 740 milhões. Alemanha soma 665 milhões e Itália fica bastante mais atrás, nos 480 milhões.
A diferença italiana é particularmente expressiva: o jogador italiano mais valioso está avaliado em 60 milhões EUR, enquanto Espanha tem Lamine Yamal nos 220 milhões, França Mbappé nos 200 milhões e Inglaterra Bellingham nos 160 milhões. Portugal apresenta outra particularidade. Os dois jogadores nacionais mais valiosos são médios do PSG: Vitinha e João Neves, ambos nos 140 milhões EUR. Juntos valem 280 milhões, mais de um terço do valor acumulado pelo Top 10 português. E há um último sinal de como funciona esta economia peculiar.
O guarda-redes mais valioso vale 45 milhões EUR, enquanto Haaland e Yamal chegam aos 220 milhões. Ou seja, o mercado paga quase cinco vezes mais pelos activos que marcam ou criam golos do que pelos melhores especialistas em evitá-los.
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