TAAG "obrigada" a responder às muitas críticas dos clientes
Falta de aviões, rotas pouco rentáveis e dúvidas sobre a qualidade da gestão aumentam a pressão à volta da administração da empresa pública, que acumula prejuízos e queixas recorrentes sobre a prestação de serviços e na relação com os passageiros.
As reclamações nas redes sociais e as manifestações de passageiros prejudicados com os vários adiamentos de voos, sobretudo na ligação com Cabinda, obrigaram a TAAG a responder às críticas públicas. Segundo apurou o Expansão, entre supostas 26 aeronaves que fazem parte da frota da companhia de bandeira, apenas 10 estavam operacionais no final de Fevereiro.
Nos aviões fora de serviço estavam todos os quatro Dash-8, de fabrico canadiano, entregues em Julho de 2022, há menos de quatro anos. Nas restantes aeronaves, quatro (em seis) Airbus A220-300 estavam em serviço, tal como três Boeing 777-300 (num total de quatro aeronaves daquele modelo) e apenas 1 (em quatro) Boeing 787-9/10 estava em condições de voar.
As dez aeronaves inutilizadas incluíam três equipamentos a necessitar de manutenção, 1 em terra e 6 fora de serviço. Noutro plano, o Expansão também obteve informações sobre o plano de voos para um dos primeiros dias de Abril, onde foi possível confirmar que apenas um avião efectuou todos os voos domésticos na referida data, o que levanta questões sobre segurança operacional, manutenção e gestão de frota. No mesmo dia, vários serviços regionais apresentam números muito baixos de passageiros.
As manifestações relacionadas com as ligações com Cabinda, que deram origem a uma intervenção da Polícia no novo aeroporto internacional, levaram a administração da TAAG a reagir em conferência de imprensa (realizada no dia 13, segunda-feira).
De acordo com a equipa de gestão da empresa, os constrangimentos operacionais em alguns serviços domésticos e regionais resultam da indisponibilidade de aeronaves, devido a "condicionantes no fornecimento de peças de reposição, que afectam todo o sector da aviação". Segundo a informação oficial, a TAAG teve 133 voos programados, dos quais foram cancelados alguns serviços, nomeadamente 12 ligações para Cabinda.
A administração da TAAG disse ainda que os passageiros que se encontram em processo de reacomodação em diferentes pontos do País "constituem prioridades máximas e imediata da empresa, estando a ser integrados nos próximos serviços da programação geral de voos". Para mitigar os impactos negativos e regularizar os serviços comercializados, está a ser implementado um plano de optimização na alocação de aeronaves, nomeadamente na ligação para Cabinda, através da utilização de aeronaves de maior porte.
"A medida permitiu transportar mais passageiros e reduzir progressivamente a lista de es pera", sublinha a TAAG. Segundo a empresa, foram igualmente adoptadas medidas de apoio aos passageiros, nomeadamente a reacomodação em voos alternativos, agendamento flexível de viagens e acomodação em unidades hoteleiras, práticas que apenas têm sido cumpridas pela TAAG no exterior do País. A previsão da administração da TAAG passava por resolver os constrangimentos mais urgentes até ontem, quinta-feira.











