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Turkish Airlines suspende voos para Angola até Novembro face à subida do combustível

Escalada do Jet A1 trava voos da transportadora aérea turca

A Turkish Airlines, transportadora aérea da Turquia, vai suspender os voos para Angola entre 3 de Maio e 25 de Novembro, devido ao aumento dos preços do combustível, segundo anunciou a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC).

Em comunicado, a ANAC informa ter recebido a notificação oficial da transportadora turca, que justifica a decisão com "factores externos à operação", associados ao contexto geopolítico no Médio Oriente. A companhia sublinha que a medida é temporária e garante estar a acompanhar a evolução das condições operacionais, com vista à retoma dos voos assim que o cenário normalize.

O documento refere ainda que as relações entre a transportadora e as autoridades angolanas decorrem "num quadro de elevada cooperação institucional", incluindo processos em curso ligados à regularização e repatriamento de receitas. No entanto, a ANAC assegura que continua a monitorizar a situação no âmbito das suas competências de supervisão do sector.

Assim, com a suspensão, mantêm-se a operar voos para Luanda companhias como a TAP Air Portugal, Air France, Lufthansa, Royal Air Maroc, Ethiopian Airlines, Qatar Airways, Airlink, South African Airways e a transportadora nacional TAAG.

O facto é que a decisão surge num momento em que as tensões no Médio Oriente, com impacto na circulação no Estreito de Ormuz ( por onde transita cerca de 20% do comércio mundial de petróleo), estão a pressionar os preços internacionais da energia e, consequentemente, o combustível de aviação.

Tal como vançou o Expansão na semana passada, em Angola, o preço de referência do Jet A1, fixado mensalmente, disparou 102% entre Março e Abril, depois de vários meses de estabilidade. Segundo o Instituto Regulador dos Derivados de Petróleo (IRDP), o preço atingiu em Abril 976,55 Kz/litro, enquanto nas instalações aeroportuárias subiu para 1.228,69 Kz/litro, representando um aumento de 82%.

O facto é que o combustível representa cerca de 40% dos custos operacionais das companhias aéreas, o que torna o sector particularmente sensível a choques externos. Neste contexto, a suspensão da Turkish Airlines evidencia que rotas de longo curso com menor densidade como Luanda-Istambul, tendem a ser as primeiras a sofrer ajustes quando há picos de custos.

Por outro lado, a manutenção de várias companhias internacionais em Luanda atenua parcialmente o choque, mas não elimina o risco de novos ajustamentos caso a pressão sobre os combustíveis se prolongue.

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