Mais sinistros e investimento afectam lucro da Nossa Seguros
Relatório e contas da empresa assinala uma queda do resultado líquido da actividade para 1,6 milhões USD. Aumento da sinistralidade e reforço do investimento explicam degradação do resultado da empresa.
O resultado líquido da Nossa Seguros caiu 20% em 2013, face a 2012, fixando-se em 1,6 milhões USD (cerca de 157 milhões Kz), fruto do aumento da sinistralidade, em particular no sector automóvel. No ano passado, explicou o presidente do conselho de administração da seguradora do Grupo BAI, Carlos Duarte, em conferência de imprensa, a actividade da empresa manteve-se em crescimento, com as apólices a avançarem cerca de 32% face ao ano anterior.
Os ramos que mais contribuíram para o crescimento foram o de acidentes de trabalho (mais 53%) e o automóvel (mais de 7%). Estes valores, contudo, disse o gestor, não permitem fazer extrapolações para o comportamento do sector no seu todo, em Angola, uma vez que "não existem dados estatísticos" globais. No entanto, adiantou, há uma "percepção generalizada" de que "o mercado de seguros cresceu acima da velocidade de crescimento da economia".
Em 2013, a Nossa registou uma evolução de cerca de 32% do seu rácio de sinistros, tendo o ramo automóvel registado um crescimento maior de 73%. Carlos Duarte afirmou que este rácio não considera o registo contabilístico de provisões de futuras indemnizações e comparou-o com o de economias mais avançadas, onde ronda os 60% a 80%.
A queda do lucro está ligada ao aumento da sinistralidade e à necessidade de acumular capitalizações. Em 2013, o rácio de rentabilidade dos capitais próprios também caiu, para 18%, face a 12% em 2012, "porque a empresa está a sacrificar os resultados actuais para os programas de investimentos em curso", explicou. Os investimentos, revelou, subiram de 31 milhões USD em 2012 para 38 milhões em 2013.
Este investimento resulta no aumento dos canais de distribuição. Além de manter a estratégia de diversificação, com o lançamento do bancassurance, num projecto-piloto em 12 balcões do BAI, a empresa prosseguiu o programa de expansão e renovação da rede comercial, com a abertura de novas agências e de lojas SIAC, estando agora presente em 10 províncias. A rede de agentes e mediadores teve igualmente uma expansão significativa: no final do ano, era constituída por 29 mediadores e corretores activos.
Os capitais próprios tiveram um acréscimo de 13,3 milhões USD, para 15 milhões USD. Os activos totais também cresceram, de 67 milhões USD em 2012 para 82 milhões USD.
Margem de solvência e taxa de cobertura
A margem de solvência da Nossa Seguros, que tinha diminuído para 124% em 2012, aumentou para 132% em 2013, um registo que "eleva o grau de confiança dos accionistas" na operação, disse.
Quanto à cobertura, o rácio de representação das provisões fixou-se em 136%, menos 3% do que em 2012, o que significa que, embora os níveis de liquidez tenham diminuído, continuam acima das disponibilidades de fundos para cobrir picos de sinistralidade.
Retoma da apólice de seguro de saúde
Entretanto, segundo o administrador executivo Ernesto Monteiro, a apólice de seguro de saúde deverá ser reactivada no segundo semestre deste ano, após uma suspensão de três anos devida à carga de pagamentos e dificuldade de controlo dos segurados.
O relançamento desta apólice deverá beneficiar, numa primeira fase, os funcionários do Grupo BAI e deverá promover a oferta de gestão do fundo de pensões para outras entidades da economia formal.
A Nossa Seguros reforçou o número de colaboradores em 2013, para 99, face aos 61 do ano anterior, o que pesou nos custos com estruturas, que avançaram 32%. Os custos com pessoal subiram 23% e a despesa com fornecimentos e serviços externos aumentou 28%. A empresa tem uma quota estimada em 10%, num bolo disputado por 15 seguradoras no mercado nacional.
Aylton Melo











