"As empresas angolanas são o garante de soberania no sector petrolífero"
O líder da empresa de prestação de serviço a indústria petrolífera defende maior articulação das entidades para maior desenvolvimento das empresas locais e melhor aplicação do regime jurídico do conteúdo local que condiciona o pagamento em moeda estrangeira e limita a actuação empresariado nacional do sector afectado pela falta de financiamento.
O conteúdo local no sector petrolífero tem sido discutido com posições diferentes entre regulador e empresários, sobretudo a nível dos pagamentos em moeda estrangeira que não é permitido a empresas angolanas. Como avalia a participação destas empresas?
As empresas angolanas esforçam-se muito para corresponder e actuar no sector petrolífero com as melhores expectativas e com os standards internacionais. Temos um conjunto de empresas muito capazes, inclusive, algumas com técnicos que já prestam serviços no exterior. Portanto, estamos nos standards que a indústria requer, mas a participação é, efectivamente, ainda baixa. Quando olhamos para os números, para as finanças do sector e o que representam para as empresas locais, percebemos que há aqui um longo e desejado caminho a percorrer.
Porquê?
Somos ainda uma parte ínfima, e isto tem que ser olhado com preocupação, porque as empresas angolanas são o garante de soberania também no sector petrolífero. E é um sector que explora um recurso nacional, onde a soberania deve presidir a todo esforço de gestão, e exploração. Ter empresas nacionais é estratégico pela capilaridade que nós criamos. As empresas angolanas fazem rendimento, e esse rendimento difunde-se pelo País, seja sob a forma de criação de emprego, de criação dos designados champions angolanos. Ou seja, os grandes investidores e potenciais grandes empresários angolanos, que muitas vezes vão diversificar a sua actividade para outros sectores.
A participação de empresas angolanas nos petróleos potencializa outros sectores da actividade económica?
A participação das empresas angolanas tem que ser olhada com uma preocupação acentuada neste momento, porque estamos a evoluir muito rapidamente, e a economia do petróleo está a evoluir também muito rapidamente. Temos esta tendências relacionada com preocupações legítimas, como as ambientais e outras, que têm feito com que o investimento opte por outros caminhos, mas o petróleo continua a ser um recurso incontornável. O petróleo não cumpre funções apenas no sector energético e nem está presente apenas no sector energético, está em muitas coisas e as empresas angolanas têm que fazer parte disto. É estratégico.
Porquê?
Porque, quer queiramos, quer não, também haverá momentos pós-petróleo. E, nesses momentos pós-petróleo, é natural que nós, angolanos, façamos um percurso um pouco mais solitário.
Diz que as empresas angolanas têm qualidade e são cada vez mais profissionais. O que falta então para que se destaquem mais?
As condições estão criadas. Há, por vezes, alguma articulação que tem faltado, e tem faltado por um aspecto simples, que é, de alguma forma, compatibilização. Porque quando falamos de conteúdo local, importa não esquecer que o investidor que está em Angola, também veio, muitas vezes, ao abrigo de conteúdo local do seu País. Como já está em momento mais desenvolvido da sua economia, algum do financiamento que recebeu no seu país para exportação e outros, também o abriga a conteúdo local. É normal vermos um operador francês, americano, com muitas empresas dos seus países, porque ele também tem o seu conteúdo local de onde vem. Nós que o recebemos cá, temos depois que ter a habilidade para compatibilizar estes conteúdos locais. E é aqui que muitas vezes, falhamos. Precisamos fazer essa compatibilização.
Isto contribuiria para melhorar a participação de empresas angolanas?
Juntando a isto, é entender que o sector é dinâmico e criarmos enquanto país condições efectivas de colaboração para que as empresas angolanas também possam ser mais competitivas. Por exemplo, a lei cambial no sector petrolífero, e nesta coisa do desenvolvimento das empresas angolanas, tem um papel fundamental, porque o aprovisionamento do sector petrolífero e a generalidade dos bens são importados. Mas esta lei impõe que as empresas angolanas para importar têm que ir ao banco comprar divisas para poder honrar os seus compromissos, e devido a circunstâncias do País, que está na lista cinzenta do GAFI, muitas entidades no exterior olham para as operações de Angola de um modo suspeito...
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