"A falta de manutenção é um inimigo do desenvolvimento"
Telmo dos Santos defende maior atenção à preservação de activos físicos e a criminalização pela não manutenção de infraestruturas estratégicas, que muitas vezes são deixadas ao abandono intencionalmente para ganhos financeiros ilícitos.
A Associação Angolana de Manutenção e Gestão de Activos vai realizar o seu sexto congresso em Novembro. Que avaliação faz da gestão e manutenção destes activos físicos no País.
Temos ainda grandes desafios. Separo isso em três momentos: o momento colonial, onde foram construídas infraestruturas, e nós percebemos que pelo menos o parque industrial do país funcionava, infraestruturas rodoviárias, ferroviárias, habitacionais. Depois houve um período em que veio a independência. Infelizmente, como todos sabemos, não havia mão-de-obra suficiente e qualificada para dar continuidade, portanto, ficámos à deriva e, agravada a esta situação, veio o período de guerra que foi muito mau para nós, não tivemos tempo de garantir a conservação e a manutenção destas infraestruturas e estas etapas, prejudicaram bastante a nossa cultura de manutenção. Depois da paz, entrámos num período muito interessante da reconstrução do nosso País. Começámos a construir coisas muito bonitas, muito boas, do ponto de vista de desenvolvimento de infraestruturas, só que infelizmente a manutenção não acompanhou na mesma medida.
O que faltou?
Boa parte da malha rodoviária que foi construída na altura precisou ser mantida e não aconteceu exactamente ao mesmo ritmo, e isso aconteceu um bocado em vários sectores. Hoje temos uma fraca cultura de manutenção, precisamos melhorar e elevar a nossa cultura. Precisamos investir mais e precisamos capacitar profissionais e empresas para assegurar esta componente de manutenção. Facilmente fazemos coisas muito giras, interessantes, gastamos dinheiro a construir, a comprar, a inovar, mas depois percebemos que, ao fim de alguns anos, já não funcionam. O segredo está na manutenção. Um equipamento, uma infraestrutura, um edifício, uma viatura, pode durar uma vida se garantirmos a sua manutenção, conservação e gestão eficaz enquanto activo físico.
Isso tem faltado?
Precisamos melhorar esta componente. Este é o calcanhar de Aquiles, daí nós todos os anos desenvolvermos um conjunto de iniciativas para ajudar a perceber que a manutenção é importante, é fundamental e é a base da sustentabilidade do futuro que nós queremos construir. Se não seguirmos este caminho vamos continuar a construir e ao fim de algum tempo vamos ver estes activos destruídos, degradados, inoperantes, parados, e não é isso que nós queremos. Temos de olhar para o futuro com alguma certeza de que todas as componentes ligadas à manutenção e gestão de activos vão permitir que Angola seja cada vez mais um País melhor para se viver e para se estar.
A falta de manutenção condiciona as infraestruturas?
A falta de manutenção é um inimigo do desenvolvimento. Se nós idealizamos um projecto, investimos, construímos e não calcularmos a componente de manutenção, claramente que isso põe em causa todo este desenvolvimento e crescimento que se pretende. Por exemplo, gastamos balúrdios de dinheiro a construir estradas, mas por falta de manutenção muitas delas já estão degradadas. E aqui há ainda a questão da insegurança que a degradação das estradas representa para as pessoas. Boa parte dos acidentes que acontecem nas estradas do País é pelo mau estado de conservação e manutenção das vias. O mesmo acontece com edifícios, inclusive alguns caem, como já aconteceu em Luanda.











