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EXPANSÃO - Página Inicial

Grande Entrevista

"As acções da Somoil vão chegar à Bodiva já em 2024, um ano antes do previsto"

EDSON DOS SANTOS, PCE DA SOMOIL

O PCE da petrolífera privada angolana anuncia que a entrada da Somoil em bolsa vai acontecer um ano antes do previsto. Revela que a produção no bloco CON1 no onshore poderá começar já em 2024. Fala dos esforços da empresa para aumentar a produção e deixa recomendações para se travar o declínio.

Se tivesse de caracterizar a Somoil em breves palavras desde dimensão, metas e perspectivas para o futuro como resumiria?

A Somoil é conteúdo local, é uma empresa 100% angolana, inclusive a maior parte dos trabalhadores tem experiência nas multinacionais de petróleo e gás, também designadas majors. Somos um produto da angolanização e somos efectivamente conteúdo local.

É a maior e mais antiga petrolífera privada de Angola e, até ao momento, para além da Sonangol, a única empresa angolana que opera blocos petrolíferos, mas juntas apenas são responsáveis por 2% da produção operada. Não lhe parece muito baixo o volume de produção das operadoras angolanas?

Antes de falar da Somoil hoje, eu gostava de fazer um breve histórico. A Somoil completou orgulhosamente 22 anos em 2022. Foi criada, no ano 2000, inicialmente como uma empresa de consultoria. Os fundadores são ex-gestores do sector petrolífero, pessoas que passaram pelo Ministério dos Petróleo e pela Sonangol.

Quem são os accionistas fundadores da empresa?

Muitos deles, graças a Deus, ainda estão vivos e podemos mencionar. É o caso dos accionistas Ana Nunes, Salgado e Costa, Almeida e Sousa, que criaram esta empresa muito focados primeiro na consultoria à volta da indústria petrolífera. Depois foram para a área de distribuição, geriam postos de abastecimento de combustíveis da Sonangol. E só em 2009 é que começam a entrar para o upstream, ou seja para a exploração e produção de petróleo.

A Somoil é conhecida como a empresa dos antigos quadros dos petróleos. É frequente associar-se a Somoil a nomes como o do Ex-PCA da Sonangol, Manuel Vicente, e outras figuras que o antecederam na Sonangol. Quais são os outros accionistas da empresa?

Infelizmente, sofremos disso dentro do País e internacionalmente. Infelizmente, somos associados a muitos que foram ministros e PCAs da [Sonangol] quando não são estas pessoas que são accionistas da Somoil. A Somoil tem 11 accionistas, um grupo que não inclui essas pessoas e as que vão aparecendo no Google.

Mas a vossa empresa é associada aos interesses do engenheiro Manuel Vicente. É ou não accionista?

Ainda esta semana li um artigo que dizia isso. Mas não é verdade, [o eng. Manuel Vicente] não faz parte dos accionistas da Somoil. Portanto, não é verdade o que tem sido divulgado sobre a sua relação com a Somoil.

Há muitos outros nomes, como o da engenheira Albina Assis, entre outros?

Os accionistas e criadores da Somoil existem, estão no País, passaram pela indústria, têm experiência e foi por isso que a Somoil começou como uma empresa de consultoria no sector de petróleo e de gás. É verdade que alguns accionistas tiveram posições de director, o que chamamos block chairman ou presidente de concessão, mas não são as pessoas que normalmente se vêem nas notícias.

Voltemos à vossa entrada no upstream, que, como diz, foi em 2009. Entram para o upstream já como operadores?

Não. Primeiro entrámos como parceiros, não operadores. Depois entrámos para a operação, de facto, por via do bloco FST, que é um activo em terra, localizado no Soyo, [província do Zaire]. A grande mudança para a Somoil acontece em 2015, quando começa a operar um activo onde entra primeiro como parceiro e depois torna-se operador em 2015. Estamos a falar do bloco 2/05. Esse é, realmente, um marco muito importante para a Somoil.

A vossa entrada para águas rasas permitiu aumentar os volumes de produção já que no onshore estes volumes são normalmente muito reduzidos. Que impacto teve na actividade da empresa?

Em 2020, há o surgimento do Covid-19, que impactou a indústria petrolífera no seu todo e a Somoil também foi afectada. Foi neste ano que se registou a mudança na gestão e a nova gestão, da qual faço parte, decidiu mudar a visão da empresa.

A que mudança se refere?

Deixar de ser uma empresa puramente petrolífera para uma empresa integrada de energia. De 2020 até agora, a nossa visão mudou e o foco está na transformação para uma empresa integrada de energia.

(Leia o artigo integral na edição 703 do Expansão, de sexta-feira, dia 02 de Dezembro de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)