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África

Etiópia lidera crescimento em África com a diversificação

RELATÓRIO DO BANCO AFRICANO DE DESENVOLVIMENTO

Banco Africano de Desenvolvimento prevê expansão de 9,8% para a economia etíope em 2026, a mais elevada de África. O desempenho reforça a aposta na industrialização e infra-estruturas, num continente que continua a procurar crescimento sustentável e menos dependente dos recursos naturais

A economia africana deverá crescer 4,2% em 2026, mantendo-se entre as regiões mais dinâmicas do mundo, apesar das incertezas provocadas pelas tensões geopolíticas, pela desaceleração do comércio internacional e pelo agravamento dos riscos financeiros globais. A conclusão é do mais recente relatório de Perspectivas Económicas Africanas do Banco Africa no de Desenvolvimento (BAD), que identifica a Etiópia como a economia com melhor desempenho do continente, ao prever uma expansão próxima dos 10%.

No Parlamento, em Março, o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, tinha anunciado a revisão em alta das previsões de crescimento económico. "Com base na revisão do desempenho económico dos últimos seis meses do actual exercício fiscal, a projecção foi revista para que a Etiópia registe um crescimento de 10,2% até ao final do ano."

O ministro das Finanças, Ahmed Shide, reforçou esta semana que as exportações poderão atingir 10,5 mil milhões USD O destaque etíope surge num momento particularmente simbólico para o continente. Depois de vários anos marcados por conflitos internos, dificuldades cambiais e pressões inflacionistas, o país da África Oriental continua a beneficiar de uma estratégia assente no investimento em infra-estruturas, industrialização, energia e modernização agrícola, consolidando-se como uma das principais histórias de crescimento económico em África.

A previsão de crescimento de 9,8% coloca a Etiópia muito acima da média continental e reforça a ideia de que os países que apostam na diversificação económica e na criação de capacidade produtiva estão a colher resultados mais consistentes do que aqueles excessivamente dependentes da exportação de matérias-primas.

A acompanhar a Etiópia surgem outras economias africanas que deverão crescer acima de 6%, como Ruanda, Uganda, Costa do Marfim e Senegal. Neste último caso, a entrada em produção de novos projectos petrolíferos e de gás natural está a impulsionar a actividade económica, enquanto a Costa do Marfim continua a beneficiar de uma combinação de agricultura exportadora, indústria transformadora e investimento público. Já o Ruanda mantém o estatuto de exemplo africa no em matéria de reformas económicas, digitalização e melhoria do ambiente de negócios.

O desempenho destas economias contrasta com a realidade de algumas das maiores potências económicas africanas. A África Austral continua a ser a região menos dinâmica do continente, com um crescimento previsto de apenas 2,1%, fortemente condicionado pelas dificuldades da África do Sul. A maior economia industrial africana continua confrontada com problemas estruturais ligados à energia, aos transportes, ao desemprego e à fraca capacidade de investimento, factores que têm limitado a sua capacidade de expansão.

Apesar do optimismo geral, o BAD deixa um alerta claro: África continua a crescer abaixo do ritmo necessário para acelerar a transformação económica e reduzir significativamente a pobreza. Para muitos economistas, o continente necessitaria de taxas próximas dos 7% ao ano durante um período prolongado para absorver o rápido crescimento demográfico e aumentar de forma significativa o rendimento por habitante.

Mobilização de recursos

Um dos aspectos mais interessantes do relatório do Banco Afri cano de Desenvolvimento é a forma como desmonta um dos mitos mais recorrentes sobre o continente: a ideia de que África não cresce mais por falta de...

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