Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

África

FMI "empurra" Nigéria para eurobonds em vez de derivados do Golfo

FINANCIAMENTO DOS EMIRADOS TEM CUSTOS MAIS BAIXOS, DIZ SENADO FEDERAL

A intenção de recorrer a um empréstimo do First Abu Dhabi Bank foi divulgada pelo governo nigeriano a 1 de Abril, quando já era visível o impacto da guerra no Irão. Recurso a empréstimos do golfo são, cada vez mais, uma alternativa aos mercados tradicionais da dívida, para muitas economias africanas, mas não agrada ao FMI.

A Nigéria está a negociar um empréstimo de 5 mil milhões USD com o principal banco dos Emirados Árabes Unidos, o First Abu Dhabi Bank, através de um contrato de derivados, ou swaps, mas a opção não agrada ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que tenta "empurrar" o governo nigeriano para uma nova emissão de eurobonds. "A nossa opinião é que as transacções neste tipo de estruturas acarretam riscos. Geralmente, são opacas, pelo que os termos nem sempre são muito transparentes quando analisamos estes instrumentos em diferentes países", afirmou Christian Ebeke, representante residente do FMI na Nigéria, no dia em que foi divulgado o relatório da mais recente consulta ao país ao abrigo do Artigo IV.

A intenção de recorrer a um financiamento do First Abu Dhabi Bank, através de um swap, foi divulgada pelo governo nigeriano a 1 de Abril, quando já era visível o impacto da guerra no Médio Oriente no aumento dos preços dos combustíveis, dos alimentos e dos fertilizantes, por causa do encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial e mais de 30% dos fertilizantes destinados à agricultura.

O acordo de financiamento de 5 mil milhões USD, aprovado pelo Senado no final de Março, tem uma duração de seis anos e envolve garantias no valor de 133,3% do empréstimo em títulos denominados em naira, segundo o Business Insider. "As taxas de juro do empréstimo serão de 395 a 400 pontos base acima da Taxa de Financiamento Overnight Garantida (SOFR), que era de 3,63% a 30 de Março", lê-se numa notícia publicada pelo jornal no dia 1 de Abril.

O recurso a este tipo de financiamento, ainda segundo o jornal, visa reduzir os custos dos empréstimos, uma vez que o aumento das tensões globais, incluindo a guerra no Irão, fez subir as taxas de juro e encareceu os empréstimos nos mercados internacionais. E faz parte dos esforços do governo do Presidente Bola Tinubu de obter financiamento para cobrir o orçamento suplementar, que é 17% superior ao inicialmente aprovado.

Aproveitando a divulgação do relatório do FMI, a representante do Fundo Monetário Internacional na Nigéria, citada pela Reuters, manifestou a discordância com a opção adoptada pelo Executivo nigeriano e aconselhou o governo federal a emitir euro bonds para financiar o défice orçamental ou, então, utilizar outros meios para captar recursos, incluindo em condições favoráveis. A comissão do Senado que analisou o pedido de empréstimo ao First Abu Dhabi Bank, segundo o Business Insider, descreveu os termos como "competitivos em relação aos rendimentos correntes dos eurobonds para a Nigéria".

Além disso, o empréstimo negociado com o banco dos Emirados Árabes Unidos inclui uma cláusula de rescisão após três anos e renovações anuais, sujeitas a acordo mútuo, o que torna mais fácil uma eventual reestruturação do financiamento do que um processo de renegociação com credores....

Leia o artigo integral na edição 880 do Expansão, sexta-feira, dia 12 de Junho de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo