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Inertes contribuem para o crescimento económico do País

DESENVOLVIMENTO

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Como consequência da abertura do mercado de construção civil e obras públicas, assiste-se hoje a um número considerável de empresas, que anteriormente se dedicavam exclusivamente ao comércio de outros bens e serviços, a enveredar em pelo mercado da exploração e transformação de inertes como diversificação de investimentos.

Segundo os entendidos na matéria, este investimento torna o mercado auto- suficiente e reduzas importações. Neste âmbito, as áreas de exploração de areia, granito, burgau, calcário, solos vermelhos, argila e areia siliciosa têm capitalizado as preferências dos investidores.

Dados do Ministério da Geologia, Minas e Indústria apontam para a existência, em todo o País, de 787 empresas extractivas de inertes legalizadas que produzem, em média, 8 922 258metros cúbicos de inertes por ano. Empresas como a Egrama, Concera, Visa beira Angola e a Geo mineral, assim como várias empreiteiras envolvidas no programa de reconstrução, têm feito investimentos avultados neste sector.

Em 2008, por exemplo, a Geo mineral, Sociedade Luso-Angolana, aplicou cerca de 7 milhões USD na pesquisa e exploração de agregados britados, assim como na extracção de areias e argilas para a fabricação de betão aplicado em diferentes obras. A mesma empresa construiu, no Porto Quipiri, província do Bengo, um areeiro, tendo investido para tal 26,5 milhões USD.

A Geo mineral tem uma capacidade média anual de extracção de 325 000metros cúbicos, e transporta, lava e classifica perto de 190 000 metros cúbicos de inertes. Já a Concera, no mercado há cinco anos, começou por entrar na área de fabricação de blocos, anéis de betão e seus derivados (actividades exercidas até 2008), altura em que decidiu transformar as suas unidades em fábricas modernas,' muito mais produtivas e rentáveis'.

Pérsio Reis, responsável técnico da empresa, anunciou que, neste momento, está em fase bastante adiantada a implantação de uma fábrica de vigas e de painéis alveolares em Luanda, orçada em cerca de 4 milhões USD e que, no seu entender, vai constituir-se numa mais-valia, sobretudo para a construção de prédios. 'Estamos preparados para, em 2011, entrar com toda a força na área da pedreira', afirmou.

O gestor caracterizou o mercado de inertes no País como sendo de 'muita expansão' e que, 'se a sua exploração for devidamente regulamentada, pode ser mais bem aproveita do e mais rentabilizado'. Apontou a falta de mão-de-obra qualificada, principalmente para a área de equipamentos, como o grande empecilho no desenvolvimento da actividade da empresa.

Com mais de 40 trabalhadores, a Concera explora em média 9 mil toneladas de brita e areia por mês, número que, de acordo com Pérsio Reis, poderá duplicar brevemente, face aos investimentos que estão a ser feitos e que visam dar resposta ao desafio do Governo de construir, até 2012, um milhão de casas. Falando ao Expansão sobre o assunto, o director de contrato da Odebrecht, Tiago Brito, referiu que, entre 2007e2009, no mercado de Luanda particularmente, era 'bastante difícil a obtenção de inertes de qualidade'.

Explicou que a maioria das pedreiras e areais tiveram a sua exploração comprometida devido à sua qualidade e disponibilidade, que resultaram no disparo dos preços. De acordo com Tiago Brito, a Odebrecht explora e produz inertes para suas obras em pedreira própria, em conformidade com os requisitos legais, em áreas onde detém direito de exploração emitido pela autoridade competente.

Em Cabo Ledo, na província do Bengo, especificou, a empresa possui uma pedreira capacitada para produzir, mensalmente, 60 mil metros cúbicos de inertes. 'Podemos afirmar que a disponibilidade de inertes com qualidade e quantidade suficientes é condição básica para o alcance dos compromissos de nossas obras em relação aos prazos contratuais e à boa qualidade de execução das mesmas', referiu. O ambientalista Vladimir Russo advoga que não se pode construir um País e desenvolver o seu parque industrial, habitacional, bem como as suas infra-estruturas, sem a exploração de inertes.

Segundo afirma, 'esta actividade gera receitas para o Estado e cria postos de emprego, muitos deles para pessoal não especializado. Estas receitas, provenientes do pagamento de impostos, contribuem para os cofres do Estado e subsequentemente permitem a diversificação das fontes de financiamento do OGE'. De acordo com o responsável, 'existem actividades de exploração de inertes em todo o País que alimentam projectos de várias índoles, que permitem o surgimento de infra-estruturas viárias imprescindíveis para o crescimento da economia angolana.

Por outro lado, estes inertes são igualmente utilizados na construção de empreendimentos em todo o País, tanto para o sector público como para o sector privado'. O director nacional de Minas, Kavungo Marlon, considerou que a exploração de inertes está a dar resposta às necessidades do Programa Nacional Reconstrução do Governo e tem estado também a contribuir para a arrecadação de importantes somas para o OGE.

A título ilustrativo, adiantou que no ano fiscal 2009, como resultado do pagamento de impostos pela extracção de inertes, foram arrecadados para os cofres do Estado7856432 USD.

Kavungo Marlon considerou o sector de inertes como o segmento da indústria extractiva 'mais integra do na economia nacional e importante catalisador do processo de reconstrução e reabilitação de infra-estruturas públicas, do crescimento e modernização dos centros urbanos e de autoconstrução das populações de baixa renda'.

Reconheceu, no entanto, que a questão da transportação tem constituído 'um dos principais itens dos custos das pequenas empresas de exploração de brita e areia, chegando a representar cerca de 40% do preço final'.

Essa realidade, segundo a avaliação do órgão que tutela a actividade, obriga a que o produtor opere próximo dos centros consumidores, localizando a actividade mineira nas regiões limítrofes das grandes cidades, oque, como inevitável crescimento urbano, acaba envolvendo as pedreiras, iniciando aí os conflitos com a comunidade vizinha e com os órgãos ligados ao ambiente e à agricultura.

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