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Opinião

Desinflação, juros em queda e câmbio estável | Novo ciclo para o investimento?

CONVIDADO

É fundamental que as condições estru turais da economia, incluindo o ambiente de negócios, as infraestruturas, a eficiência buro crática e os incentivos fiscais, evoluam no sentido de facilitar a entrada de novos investimentos e a expansão dos já existentes.

Desde finais de 2024 e início do ano em curso, verifica-se uma redução contínua da taxa de inflação na economia angolana, refletindo uma desaceleração no ritmo de crescimento dos preços. A inflação homóloga passou de 27,5% em Dezembro de 2024 para 14,56% em Janeiro deste ano, depois de ter registado 26,48% em Janeiro do ano passado.

Esta trajetória descendente levou o Comité de Política Monetária (CPM) do BNA a proceder também a cortes sucessivos na taxa de juro de referência, que passou de 19,5% em Janeiro de 2025 para 17,5% em Janeiro deste ano.

O comportamento da inflação, aliado à orientação da política monetária e à relativa estabilidade do kwanza face ao dólar norte--americano ao longo dos últimos 12 meses constitui um conjunto de sinais favoráveis à expansão do investimento no setor produtivo. Com a desaceleração da inflação, reduz-se a incerteza quanto à evolução futura dos preços, aumentando a previsibilidade para investidores e instituições financeiras.

Esse ambiente favorece a concessão de crédito ao investimento e às famílias. Paralelamente, a redução das taxas de juro diminui a atratividade dos títulos do Tesouro, usualmente preferidos pelos bancos comerciais em detrimento do financiamento à economia real, sobretudo num contexto marcado por riscos de inadimplência e incertezas associadas a projetos produtivos.

A estabilidade cambial reforça esse quadro positivo. Um câmbio previsível reduz o risco cambial, facilita a repatriação de capitais e torna mais estável o custo de aquisição de bens de capital e insumos importados. Este fator é particularmente relevante para potenciais investidores estrangeiros, que passam a dispor de maior segurança quanto ao valor real dos seus investimentos. Dados do BNA indicam que, no final do ano passado, o crédito ao setor real da economia cresceu 24,4%, com destaque para os sectores da agricultura e pescas, indústria extrativa e indústria transformadora.

Em contraste, em Outubro, a procura por títulos do Tesouro com maturidade de quatro e seis anos ficou aquém das expectativas, tendo sido captado apenas 22,5% do montante previsto, apesar de taxas de cupão entre 16,75% e 17,25%. Este comportamento sugere maior preferência por liquidez e, potencialmente, uma reorientação gradual do crédito para atividades produtivas. Há quem defenda que os cortes na taxa de juro de referência têm como objetivo principal reduzir o custo de financiamento do Estado. De facto, taxas mais baixas reduzem o custo de emissão de dívida pública.

Contudo, simultaneamente, tornam os títulos menos atrativos, incentivando os bancos a procurar alternativas de aplicação, nomeadamente o financiamento à economia real. Em síntese, a combinação entre estabilidade cambial, redução das taxas de juro e desaceleração da inflação cria um ambiente mais propício ao investimento produtivo.

Este alinhamento tende a estimular a expansão económica, através do aumento do investimento, da geração de emprego, da maior concessão de crédito e da redução do custo de capital para as empresas. Importa, contudo, sublinhar que a estabilidade macroeconómica, por si só, não garante crescimento sustentável.

É fundamental que as condições estruturais da economia, incluindo o ambiente de negócios, as infraestruturas, a eficiência burocrática e os incentivos fiscais, evoluam no sentido de facilitar a entrada de novos investimentos e a expansão dos já existentes.

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