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Opinião

Turismo científico, um desafio para as universidades e instituições do País

CONVIDADO

O Cuando Cubango pode servir de impulso ao turismo científico e, consequentemente, ao desenvolvimento de outros tipos de turismo, atraindo desta feita turistas internos e externos.

Muito se tem dito sobre o sector do turismo, de forma a poder salvá-lo da situação em que se encontra e que, infelizmente, é uma miragem, pelos factores constrangedores que o rodeiam. Factores que desencorajam alguns incentivos, devido ao sinal visível de incumprimento na hora de honrar o compromisso, no que toca ao retorno do capital "emprestado" no prazo acordado, o que resulta em sucessivas prorrogações (alívios) como se assiste hoje, em alguns projectos agrícolas, no âmbito do Aviso n.º 10/20 do Banco Nacional de Angola (BNA).

O turismo científico tem como público-alvo os pesquisadores que estão ligados às universidades e outras instituições e é visto como uma sub-dimensão do turismo cultural. O desafio às nossas universidades e instituições pode resultar em benefícios, concretamente na mobilização de doações pecuniárias ou não, bolsas de outras instituições, nacionais ou internacionais.

Na diversidade do turismo, destacamos dois dos mais praticados, o turismo cultural que consiste na actividade económica, viagens com foco no conhecimento e lazer, do qual, os elementos culturais são os monumentos, complexos arquitectónicos, eventos artísticos, culturais, religiosos, educativos ou fórum académicos. E o turismo de eventos, cujo foco está virado para o enriquecimento técnico, científico ou profissional, cultural, incluindo consumo e entretenimento, tendo como principais subcategorias o turismo de congresso e o turismo de convenção.

Pascal Mao e Fabien Bourlon num estudo (Ensaio sobre o Turismo Científico, 2011) classificam o turismo científico em quatro formas:

Numa matriz de prioridades, o ramo do turismo a apostar é o científico, aquele que nos leva à necessidade de efectuar estudos e pesquisas científicas. Aqui, o investigador realiza uma ou várias viagens para o seu trabalho de pesquisa. Quer com isto dizer, que existe uma combinação entre viagem e pesquisa científica, num determinado local, com uma complexa estrutura turística ou com total inexistência.

Realçando, no seu objecto de estudo, exclui-se o lazer e o repouso, tanto parcial ou total, o que o torna diferente de outras subdivisões do turismo. Então, tem como base a busca de conhecimento isento de lazer. Historicamente, apuramos que as expedições científicas acontecem há séculos, tendo como grande precursor do turismo científico, as expedições de Charles Darwin, com o objectivo de mapear a costa da América do Sul. Como exemplo, temos a expedição Okavango-Zambeze, realiza[1]da pela National Geographic Society, e pelas suas pesquisas, que concluiu que a província do Cuando Cubango virá a ser, nos próximos tempos, uma das mais importantes áreas de turismo ecológico do continente africano, a julgar pela sua diversidade v.g., fauna e flora (ricas em espécies raras).

O Cuando Cubango pode servir de impulso ao turismo científico e, consequentemente, ao desenvolvimento de outros tipos de turismo, atraindo desta feita turistas internos e externos. Eis uma oportunidade para dar a conhecer o potencial do nosso país em termos da sua biodiversidade, tornando de facto o sector do turismo ponto de atracção sustentável.

Portanto, o turismo científico, geralmente, tem iniciativa de governos, de instituições ligadas a pesquisas, centros de investigação, cooperação científica e programas de universidades, que enviam pesquisadores aos locais remotos, para pesquisas e conhecimento de áreas inexploradas, com o objectivo de realização de imagens turísticas e informações e serem utilizadas de forma científica.

A aposta no turismo científico em Angola deve ser vista como base impulsionadora de outros tipos de turismo, uma alavanca para o sector, dando a conhecer as potencialidades naturais pela sua biodiversidade. Angola obtém ganhos imensos a partir do saber, lazer e também poderá contribuir para a melhoria das condições de vida das populações localizadas nas áreas circundante, bem como das suas infraestruturas, atraindo investimentos privados. O resultado seria mais visitas de turistas e, naturalmente, mais receitas e mais empregos.

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