UAN admitiu 23 mil estudantes em cinco anos, mas só lançou 11 mil para o mercado
A cada 100 estudantes admitidos, apenas 48 concluem a licenciatura no período de duração normal do curso, enquanto 52 fazem o curso "à força" pelas condições sociais e económicas, que apertam a cada dia que passa.
A Universidade Agostinho Neto (UAN) admitiu, desde 2021 até ao presente ano, 23 mil estudantes nas 10 unidades orgânicas, mas só lançou 11 mil para o mercado de trabalho, calculou o Expansão com base nos documentos oficiais da universidade e de anuários estatísticos do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação dos anos em referência, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
Segundo os cálculos do Expansão, do número total de estudantes admitidos durante os cinco anos, cerca de 12 mil, que representam 52%, não terminaram a formação superior no período de duração normal do curso, entre quatro a seis anos de estudo.
Para o sociólogo e investigador Paulo Inglês, em termos globais, o número não se traduz em insucesso por parte da universidade, uma vez que chegou a atingir quase 50% de aproveitamento.
"Com a situação actual do País, o número de formados não é dramático, seria pior se o baixo aproveitamento ultrapassasse os 60%. Ainda assim, os dados servem como um alerta para a sociedade, visto que em causa está o abandono escolar devido ao agravamento das condições sociais e económicas", apontou.
O baixo aproveitamento dos estudantes da UAN, avançou Paulo Inglês, deve-se, por um lado, à baixa condição social e financeira dos alunos, que, na sua maioria, provêm da periferia e muitos deles vêem-se obrigados a desistir a meio do curso. Por outro lado, esclareceu o investigador, ao grau de dificuldade de alguns cursos, como, por exemplo, os cursos da Faculdade de Engenharia, onde os estudantes levam anos e anos para concluir uma formação que tem a duração de cinco anos.
Formação por graus
Durante os cinco anos, em média, a universidade disponibilizou, no geral, cerca de 4.600 vagas e formou 2.100 estudantes a cada ano académico .
E quanto a números não é tudo. O Expansão fez as contas à quantidade total de vagas disponibilizadas em relação ao número de estudantes formados neste quinquénio e constatou que, a cada 100 estudantes, a universidade lançou apenas 48 quadros para o mercado de trabalho. Ficam de fora 52 estudantes na condição de repetentes ou desistentes, devido às condições sociais e económicas, como já foi mencionado.
Quanto à formação por graus, a Universidade Agostinho Neto registou um total de 19 doutores (P.hD) outorgados entre os anos de 2022, 2023 e 2025, o que perfaz uma média de 4 doutores por ano.
No grau de mestre, foram graduados 914 estudantes com uma média de 182 por ano.
O número de bacharéis foi caindo até à sua extinção oficial como título académico, através da Lei n.º 32/20, de 12 de Agosto de 2020. Ainda assim, registaram-se 43 quadros formados até 2024, com uma média de 9 pessoas por ano.
O maior número recai no grau de licenciatura, que conta com um total de 9.582 formados e uma média de 1.916 estudantes lançados ao mercado de trabalho a cada ano, desde 2021.
Desempenho das unidades orgânicas
Em relação ao desempenho das unidades orgânicas, a Faculdade de Ciências Sociais (FCS) foi a que formou o maior número de graduados. Durante o período em análise, a unidade orgânica colocou no mercado de trabalho 1.748 quadros, atingindo o seu cume no ano de 2024, com 558 formados. A seguir vem a Faculdade de Economia (FEC) com 1.675 e a Faculdade de Humanidades (FH), fecha o "top 3" das unidades orgânicas que mais produzem com 1.313. No outro extremo, com o menor número de licenciados, está o Instituto Superior de Hotelaria e Turismo (ESHOTUR), que lançou apenas 38 formados com uma média de 8 licenciados por cada ano. Segue- -se o Instituto de Educação Física e Desporto (IEFD) com 303 formados e uma média de 171 por ano, na penúltima posição, e a faculdade de medicina (FM) com 211 formados, perfazendo uma média anual de 42 estudante.
Os cursos ligados às ciências sociais, económicas, línguas e literatura e também de direito são os que acolhem mais estudantes em relação aos cursos de engenharia e ciências naturais, o que entra em rota de colisão com as necessidades de formação de quadros do País, que necessita de mais engenheiros.
Leia o artigo integral na edição 841 do Expansão, de sexta-feira, dia 29 de Agosto de 2025, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)