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Após Qatar, Equador e Angola, Emirados Árabes Unidos saem da OPEP

PAÍSES EXPORTADORES DE PETRÓLEO PERDEM MAIS UM MEMBRO

Com esta decisão, a OPEP perde mais um dos seus membros, num processo de redução gradual que tem marcado a última década. Antes dos Emirados, já o Qatar havia abandonado o cartel em 2018, seguido pelo Equador em Janeiro de 2020 e por Angola em Dezembro de 2023.

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram terça-feira, dia 28, a sua saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), ao fim de 60 anos de adesão, numa decisão que reflecte um "realinhamento estratégico" em resposta ao actual contexto energético internacional. A medida, divulgada pela agência estatal de notícias dos Emirados, WAM, deverá entrar em vigor já a 1 de Maio.

Com esta decisão, a OPEP perde mais um dos seus membros, num processo de redução gradual que tem marcado a última década. Antes dos Emirados, já o Qatar havia abandonado o cartel em 2018, seguido pelo Equador em Janeiro de 2020 e por Angola em Dezembro de 2023.

O anúncio foi confirmado pelo ministro da Energia e Infraestrutura, Suhail bin Mohammed Al Mazrouei, que afirmou que a decisão resulta de uma "análise cuidadosa" das políticas energéticas do país e está alinhada com os fundamentos do mercado a longo prazo. Questionado se os Emirados Árabes Unidos consultaram a Arábia Saudita, líder da OPEP, o governante, citado pela Reu ters, disse que os Emirados Árabes Unidos não levantaram a questão com nenhum outro país. A decisão é vista por ana listas como um potencial sinal de fissuras internas no cartel, historicamente liderado pela Arábia Saudita.

A saída ocorre num momento de elevada tensão no Médio Oriente, marcado pela guerra envolvendo o Irão, que tem agra vado a instabilidade nos mercados energéticos globais. A crise tem sido acompanhada por dificuldades acrescidas nas exportações de petróleo, em particular através do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de crude.

Ao abandonar a OPEP, os EAU passam a ter maior margem para definir os seus níveis de produção, deixando de estar sujeitos às quotas impostas pela organização. O facto é que, nos últimos anos, o país tem manifestado divergências em relação a essas limitações, defendendo uma maior flexibilidade para aumentar a oferta e capitalizar investimentos realizados na expansão da sua capacidade petrolífera.

Apesar da saída, as autoridades dos EAU asseguram que o país continuará empenhado na estabilidade dos mercados energéticos globais, prometendo uma actuação "respon sável e equilibrada" na gestão da produção.

Angola deixou a OPEP após impasse sobre quotas

Na sequência de divergências persistentes quanto às quotas de produção impostas pelo cartel, Angola anunciou a sua saída em Dezembro de 2023, após 16 anos como membro. Angola rejeitou a meta de 1,10 milhões de barris por dia proposta pela OPEP, mantendo o objectivo de produzir 1,18 milhões de barris diários em 2024.

Mas o facto é que, apesar da saída da OPEP, a produção petrolífera angolana continua a cair devido ao declínio natural dos campos. Só para se ter uma ideia, em 2023, antes da saída, o País produzia entre 1,09 e 1,13 milhões de barris por dia, valores já próximos da quota contestada. No final de 2025, a produção recuou para cerca de 1,03 milhões de barris diários, evidenciando a tendência de queda desde 2016.

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