Executivo quer transformar Malanje numa plataforma logística do País
Os sectores da agricultura, indústria e turismo despertaram maior interesse nos cerca de 300 empresários, entre nacionais e estrangeiros, que participaram, recentemente, na primeira Conferência Internacional de Promoção de Investimento para a província de Malanje.
Dada a crise financeira em que o País se encontra, resultante da queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional, as autoridades esmeram-se na busca de alternativas para financiar e implementar o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2013-2017).
Foi neste âmbito que o governo provincial de Malanje reuniu, na semana passada, um conjunto de entidades, ligadas ao mundo de negócios para apresentar as potencialidades e as oportunidades que a região oferece e, como disse o governador provincial, Norberto dos Santos, a região poderá tornar- se numa placa giratória de negócios entre Luanda, Norte e Leste do País.
É pretensão do Governo transformar a região num centro de produção de bens de consumo, embora a falta de infra-estruturas seja ainda um problema, afirmou. As autoridades locais acreditam que o potencial agrícola e as terras férteis que Malanje tem por explorar podem ser o caminho para atrair à província mais investimento privado, com destaque para os sectores estratégicos e alavancar o processo da diversificação da economia, conforme fez saber a ministra do Comércio, Rosa Pacavira, durante o encontro.
"É chegado o momento de desatrelar a economia nacional da produção petrolífera e elaboração da estratégia política coerente de desenvolvimento", afirmou. E para o cumprimento deste desiderato, segundo precisou, o Governo aprovou e regulamentou a nova lei do investimento privado, Lei 14/15, de 11 de Agosto, que cria uma série de incentivos para os empresários e investidores nacionais e estrangeiros no exercício das suas actividades.
Embora se mantenham ainda omissas algumas questões, no novo documento, a governante acredita que é certamente a melhor forma de o País abrir-se ao capital privado e aumentar as fontes de financiamento do Orçamento Geral do Estado (OGE). Quanto à produção interna, Rosa Pacavira reconheceu que Angola é 85% importadora dos bens que consome, reafirmando que "tudo" está a ser feito para que se inverta a situação, na medida em que decorre o processo de integração do País na Zona de Comércio Livre da SADC.
"Angola importa 85% dos bens de consumo interno. Apenas para se ter uma ideia, 50% dos ovos consumidos são importados, 60% do frango vem de fora, e a produção interna de leite corresponde a apenas 5%", afirmou, tendo garantido que é objectivo do Executivo aumentar a capacidade dos empresários a nível interno para responder à demanda.
Realçou ainda que as importações não desenvolvem um país, por isso sugere a necessidade de elaboração e implementação de uma estratégia política coerente de desenvolvimento sustentável, que estimule o aumento da procura por produtos e serviços de produção nacional. Gestão macroeconómica Os factores acima avançados, advogou a ministra, devem convergir para uma gestão macroeconómica mais favorável à atracção do investimento privado.
Entre 2003 e 2013, Angola tornou- se no quarto maior destino de investimento estrangeiro directo em África, um indicador justificado pelo forte crescimento da economia do País e os investimentos ao nível das infra-estruturas, com destaque para os portos, aeroportos e a criação do Fundo Soberano de Angola, uma tendência invertida no ano passado, quando o País se posicionou em 2.º lugar em termos de investimento directo externo, com 16 mil milhões USD. Um dos objectivos da estabilidade do mercado é melhorar a articulação das políticas fiscais, monetária, cambial, comercial e a concorrência.
Neste prisma, explicou Rosa Pacavira, as empresas angolanas precisam de ser competitivas e perceber que o maior desafio é diversificar o investimento privado pelas regiões, sobretudo as mais desfavorecidas, e espera-se que Malanje venha a ser um ponto estratégico na diversificação da economia.
"O aumento da produtividade tem como efeito imediato a melhoria dos salários e os lucros serão maiores e sem pressionar a inflação. Com um sector produtivo mais eficiente, espera-se que haja mais empregos, e isto só é possível com o aumento do investimento, sobretudo em infra-estruturas ou clusters prioritários", afirmou a governante, em resposta às preocupações apresentadas pela plateia.
Esclareceu que, dos projectos definidos como prioritários pelo Governo, um número considerável está em Malanje, nos sectores da agricultura, indústria e energia. Guia de investimentos Dentro em breve o País vai ganhar a carta e o guia de investimentos, como instrumentos complementares à política nacional do investimento privado, um mecanismo que visa ajudar o investidor a realizar negócios.
O projecto, uma iniciativa do Ministério do Comércio, foi aplaudido pela classe empresarial presente no encontro. Os investidores manifestaram o interesse de ajudar o governo provincial de Malanje a levar avante o desejo de desenvolver o sector económico, nomeadamente no domínio da agricultura e agro-indústria, com vista a acelerar o processo de diversificação da economia e dar maior visibilidade à região.
O economista Samora Quitumba afirma, contudo, que a experiência dos últimos anos deve ser tida em atenção para a diversificação da economia do País. A conferência, uma organização do governo da província, com patrocínio da Presidência da República, serviu para despertar os homens de negócios, sobre as áreas férteis e por se explorar que Malanje dispõe. Malanje tem potencialidades nos domínios da agricultura, indústria, mineração, bem como hotelaria e turismo.
A conferência contou com a participação de empresários angolanos, brasileiros, portugueses, norte-americanos, namibianos, chineses, ganenses, sul-africanos, belgas, franceses, espanhóis, franceses, holandeses, italianos e do Reino Unido.











