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Auditor volta a levantar dúvidas sobre imparidades e recuperação de crédito do BDA

MALPARADO RONDA OS 60% E ANGOLA CABLES É O MAIOR DEVEDOR

O auditor continua a levantar dúvidas sobre a recuperação do crédito, uma reserva que se mantém desde 2021. Paralelamente, o Governo voltou a avançar com medidas para "safar" as contas do banco, com uma emissão de Obrigações do Tesouro até 100 mil milhões Kz para reforçar a capitalização.

O Banco de Desenvolvimento de Angola voltou a receber uma reserva do auditor externo, a Ernst & Young (EY), devido às incertezas relacionadas com a recuperação de um crédito concedido à Angola Cables, actualmente o maior devedor da instituição financeira pública. A auditora afirma não ter recebido informação suficiente que lhe permitisse avaliar se o nível de imparidades registado pelo banco reflecte adequadamente o risco efectivo de não recuperação da dívida, situação que poderá ter impacto material nos resultados e na posição financeira do banco, de acor do com o relatório e contas do banco relativo ao exercício económico e financeiro de 2025.

A exposição do BDA à Angola Cables beneficiou de uma garantia soberana do Estado relativa a uma operação avaliada em 260 milhões USD. Entretanto, o auditor considera persistirem dúvidas relevantes quanto às perspectivas de recuperação do crédito, uma reserva que vem sendo repetida desde 2021, altura em que a auditoria independente era assegurada pela BakerTilly.

Cintando, a Nota 10 das demonstrações financeiras, o auditor refere que o montante em causa corresponde a crédito concedido a um devedor em in cumprimento. Embora parte da operação esteja coberta pela garantia do Estado, o BDA reconhece um risco elevado de perda, tendo acumulado imparidades de 79,8 mil milhões de kwanzas até ao final de 2025, mais do dobro dos 33,1 mil milhões registados no exercício anterior. Só em 2025, o banco reforçou as imparidades associadas a este cliente em 46,7 mil milhões de kwanzas, valor significativamente acima dos 13,6 mil milhões contabilizados em 2024.

O impacto foi reconhecido na rubrica "Im paridade para crédito a clientes líquida de reversões e recupera ções", pressionando os resultados líquidos do exercício. Apesar do reforço das provisões, a EY sublinha que não lhe foi disponibilizada uma análise detalhada sobre os cenários e expectativas de recuperação da dívida, incluindo projecções sobre os montantes recuperáveis e os respectivos prazos.

Face a esta limitação, os auditores afirmam "não ter sido possível concluir sobre os potenciais efeitos desta situação quer nas imparidades acumuladas registadas no balanço, quer nos Banco registou lucros de 7,9 mil milhões Kz em 2025 encargos reconhecidos em resultados no exercício de 2025 e em períodos anteriores".

O banco divulgou apenas as peças contabilísticas principais, sem publicar as notas anexas às demonstrações financeiras, documento considerado essencial para uma leitura mais detalhada e transparente da situação económica e financeira da instituição. A ausência destas informações complementares dificulta a análise sobre a evolução de vários indicadores no fecho de 2025, incluindo questões relevantes levantadas pelo auditor externo relacionadas com imparidades e recuperação de crédito.

Ainda assim, no relatório e contas do primeiro semestre de 2025, onde o BDA apresenta informação mais detalhada, o banco esclarece que a rubrica "Garantias e Avales Recebidos", reportada a 30 de Junho de 2025 e 31 de Dezembro de 2024, inclui garantias associadas aos créditos concedidos pela instituição, nomeadamente garantias soberanas, garantias de clientes residentes e outras garantias não fi nanceiras. Entre elas consta a garantia soberana do Estado angolano relativa à operação de financiamento da Angola Cables, no montante de 260 milhões de dólares...

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