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Angola

Exportações do PRODESI são 17 vezes inferiores às importações

I TRIMESTRE DE 2026

O saldo entre o que é importado de produtos denominados PRODESI e o que é vendido lá para fora continua a pender muito mais para o lado das importações. Há cada vez mais produtos "made in Angola", mas a produção nacional continua a ser "alimentada" por matérias-primas vindas do estrangeiro.

As importações no âmbito do programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) caíram 15% para 548,3 milhões USD no I trimestre deste ano face ao período homólogo, enquanto as exportações cresceram 53% para apenas 32,3 milhões USD. Desta forma, estas exportações são 17 vezes inferiores às importações, diferença abaixo das 22 vezes registadas em 2025, de acordo com cálculos do Expansão com base nas Estatísticas do Comércio Externo publicados no site da Administração Geral Tributária (AGT).

A balança comercial dos produtos catalogados pela AGT como pertencentes PRODESI continua deficitária, apesar de ser hoje menor do que, por exemplo, em 2020, quando o fosso era de 38 vezes a favor das importações. Apesar desta ligeira melhoria na balança comercial do PRODESI, o País continua a importar mais produtos e a gastar mais dinheiro do que no início do programa. Em 2020 foram importados 1.832 milhões USD e, no ano passado, 2.297 milhões USD. Mesmo que as exportações tenham crescido 54%, ao passar de 47,5 milhões USD para 102,9 milhões, o saldo continua hoje muito distante daquilo que eram as expectativas. ~

Isto porque a população do país cresce a uma média de 1 milhão de pessoas por ano e apesar de hoje comprovadamente haver mais produção nacional - é visível nos supermercados, nem que sejam produtos das indústrias que apenas embalam os produtos importados - continua a ser insuficiente para chegar à mesa de todos, o que também tem impacto na inflação.

A importação de carne de frango, medicamentos, grão de trigo, arroz e óleo alimentar continua a ter um peso significativo. Nos primeiros três meses, o País gastou cerca de 380 milhões USD com estes bens essenciais, mais de 69% do total das importações no âmbito do programa.

O PRODESI foi lançado em 2018, mas ganhou maior expressão com o Aviso n.º 10/2020, de 3 de abril, do Banco Nacional de Angola (BNA), que visa financiar a economia real com taxas de juro bonificadas, priorizando produtos da fileira do programa, como óleo alimentar, culturas de cereais (milho, arroz, feijão), soja, frutas tropicais e derivados, bem como a produção de proteínas animais. O objectivo é acelerar a diversificação e potenciar as vantagens comparativas nacionais, bem como reduzir o dispêndio de recursos cambiais com a cesta básica e aumentar e diversificar as fontes cambiais através das exportações de excedentes. Contudo, apesar de as prateleiras dos supermercados apresentarem mais produtos "made in Angola", o fomento das exportações e a desejada substituição das importações ainda estão longe de se concretizar...

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