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Angola

Pobreza, recessão económica e inflação entre os principais riscos para Angola

RELATÓRIO DE RISCOS GLOBAIS 2025

O Fórum Económico Mundial fez um estudo, com o apoio de 900 especialistas, onde analisou os principais riscos que 129 países têm para o seu desenvolvimento económico e social. O relatório reforça que é necessário uma cooperação efectiva entre governo, empresas e sociedade civil.

O Relatório de Riscos Globais 2025, elaborado pelo Fórum Económico Mundial, revela que a pobreza, recessão económica, inflação, desemprego ou falta de oportunidade económica e dívida pública constituem os principais riscos para o desenvolvimento económico e social de Angola.

O estudo foi baseado na percepção de mais de 900 especialistas do sector empresarial, académico, governamental, organizações internacionais e sociedade civil à volta do mundo e estes classificam os principais riscos globais como mudanças climáticas, conflito armado entre estados, olhando para o confronto geoeconómico como principal risco de 2025 (ver gráfico).

Num país que o número de cidadãos em pobreza extrema aumentou 82% em oito anos, afectando assim 11,6 milhões de angolanos (de acordo com o Banco Mundial), e com uma recessão económica que durou cinco anos, estes dados não são uma grande novidade, mas estes indicadores devem servir para reavaliar o impacto das políticas implementadas no País.

O economista, Wilson Chimoco, sublinha que os decisores devem olhar para este cenário com bastante preocupação, porque os riscos identificados são os mesmos de há 10, 20 e 50 anos. O que sinaliza que se está a fazer pouco para os reduzir, uma clara indicação de ineficiência das políticas públicas.

Numa altura em que o Presidente, João Lourenço, tem estado a viajar (a última foi agora em França) para assinar vários acordos para incentivar empresários a investirem no País este cenário condiciona os seus esforços. "O investimento tem no lucro o seu principal incentivo e no risco o seu óbice. Por maior que sejam as oportunidades de investimento que o País apresente, se os riscos forem elevados, os investimentos não virão. E aqueles que vierem, são especulativos e de pouco valor acrescentado para a economia, baseados no lucro fácil e rápido", defende o economista.

Por outro lado, o economista sublinha que é necessário acções urgentes e soluções inovadoras, e não se precisam de ser mirabolantes. Bastam coisas simples, como maior inclusão, liberdade de expressão e maior transparência na definição, execução e fiscalização da gestão da coisa pública.

O documento aponta que muitos países com demografia jovem estão na África Subsaariana, que tem de longe a maior taxa de fertilidade a nível global. Essa demografia ajudará a sustentar o aumento das populações em idade activa por várias décadas. Mas um desafio fundamental na próxima década será gerar oportunidades de trabalho numa uma escala suficiente e que ofereçam segurança no emprego.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) observa que 72% dos trabalhadores adultos jovens (de 25 a 29 anos) na região estão numa forma de trabalho considerada "insegura". Investimento limitado em capital humano, que é essencial para desenvolver uma economia atraente que pode gerar oportunidade de emprego suficiente, é um dos problemas apontados.

O relatório reforça ainda que a colaboração entre governos, empresas e a sociedade civil é indispensável para enfrentar os desafios globais.

23% dos entrevistados apontam que os conflitos armados entre Estados, eventos climáticos extremos, confrontos geoeconómicos e disseminação de desinformação são os riscos mais temidos no curto prazo, uma vez que irão condicionar o desenvolvimento económico e social global.

Este aumento nas preocupações, refere o documento, deve- -se, em grande parte, às "consequências desestabilizadoras decorrentes da invasão da Ucrânia pela Rússia, bem como aos conflitos no Médio Oriente e no Sudão". Na perspectiva de dois anos, o risco de conflito armado subiu da 5.ª posição para o 3.º lugar em relação ao relatório anterior.

E no longo prazo, os maiores receios incluem eventos climáticos extremos, o colapso de ecossistemas e a perda de biodiversidade, mudanças críticas nos sistemas terrestres, a escassez de recursos naturais e a continuidade da polarização social.

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