Trabalhadores do Porto de Luanda "pedem" novos salários
Os trabalhadores do Porto de Luanda, através do seu sindicato, querem a melhoria das condições de trabalho e já apresentaram um plano de acção, onde pedem aumentos salariais, atribuição de casas a funcionários e o reenquadramento de colaboradores nos quadros da empresa portuária da capital.
Um caderno reivindicativo foi apresentado ao novo conselho de administração do Porto de Luanda pelos funcionários desta instituição. E inclui pedidos de melhoria das condições sociais dos trabalhadores, sobretudo o aumento do salário e a compra de residências para os funcionários, de acordo com um boletim de informação da instituição a que o Expansão teve acesso.
As reivindicações dos funcionários do Porto de Luanda fazem parte de um plano de acção que o sindicato de trabalhadores já fez chegar à administração da empresa, em que se debate igualmente a necessidade de enquadramento de antigos quadros da instituição. De acordo com o primeiro secretário da comissão sindical, Titi Nzinga, o plano de acção é "pacífico", e foi concebido para o primeiro trimestre do ano em curso.
"Para nós, o mais importante é fazer com que o Porto e a Administração Portuária trabalhem. Nós não estamos aqui para dificultar a Administração, pelo contrário, queremos apoiá-la", afirma. Ainda assim, o primeiro secretário da comissão sindical acusa a administração "de distribuir mal as receitas destinadas ao pagamento dos salários" e de implementar o planos de formação em benefício dos mesmos trabalhadores, o que segundo sindicalista, tem sido "frequente".
Nzinga deu exemplo do ano de 2011, quando foram introduzidas "profundas diferenças na tabela salarial, que permanecem até hoje, a coberto de ajustes". Também se queixou da repartição dos dividendos e da avaliação de desempenho dos colaboradores, que, a seu ver, "não tem credibilidade". "O mais importante, relativamente às diferenças dos ordenados numa tabela salarial, é que essas diferenças não sejam arbitrárias, isto é, não sejam determinadas por critérios subjectivos nem sejam objectivamente desproporcionais. Deve haver entre os grupos ou categorias o mínimo de equilíbrio", considera.
Até 2011, avança o responsável, a diferença salarial entre os cargos de director e de chefe de departamento equivalia, em kwanzas, a 900 USD, um valor que aumentou para 2.500 USD, depois de se efectuarem mudanças e ajustes nos ordenados dos funcionários. "Já nessa altura detectámos uma enorme falha na decisão que criou esta situação e não só chamámos a atenção da administração para o assunto como apelámos à sua imediata correcção", afirma.
Funcionários querem mais benefícios Além dos reajustes de salários e atribuição de casas, constam também do 'pacote' reivindicativo dos trabalhadores da empresa portuária de Luanda os benefícios com um "cartão Carang e os dividendos".
Mas Titi Nzinga diz que não são apenas os benefícios que preocupam o colectivo de trabalhadores. Segundo o responsável, "são as diferenças enormes entre os valores atribuídos às diversas categorias". "Queremos sentar-nos com a administração para, juntos, encontrarmos as devidas soluções", salienta, perspectivando um maior desempenho do Porto de Luanda nos próximos anos.
Entretanto, o líder sindical, aponta ainda para a necessidade de se estabelecerem comunicações regulares com o sindicato, com vista a se superarem os mais variados problemas que afectam os trabalhadores e o sector, no geral. "Gostaríamos que a Administração reconhecesse o sindicato como um parceiro útil na tomada de decisões, sobretudo nas questões que dizem respeito ou se cruzam com os direitos e interesses dos trabalhadores", diz.
Nova administração aguarda posse, mas já tem serviço As preocupações dos trabalhadores já foram acolhidas pela nova administração, recentemente nomeada e que aguarda ainda o empossamento.
A administração, agora liderada por Alberto Bengui, já tem trabalho a fazer, designadamente pelo facto de, em finais do ano passado, o Porto ter recebido uma orientação do director-geral adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), Naoyuki Shinohara, no sentido de conjugar esforços para tornar funcional o serviço público prestado pela organização.











