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África

Zâmbia constrói primeira refinaria de petróleo para garantir segurança energética

PROJECTO DE 1,1 MIL MILHÕES USD COBRE PROCURA INTERNA DE COMBUSTÍVEL

Complexo apoia sectores-chave, como a mineração e outras indústrias com elevado consumo de combustível, estando previsto ainda que, a longo prazo, parte da produção sirva para exportar para países vizinhos.

A Zâmbia deu início à construção da sua primeira refinaria de crude, um projecto de 1,1 mil milhões USD, com capacidade para produzir 60 mil barris de petróleo por dia, e que deverá ficar concluído em 2028. Desenvolvido pela Zambia Petrochemical Energy Company (ZPEC), uma joint-venture entre a chinesa Fujian Xiang Xin Cor poration e a empresa estatal zam biana Industrial Development Corporation (IDC), o complexo energético integrado incluirá o engarrafamento de gás de petróleo liquefeito (GPL), a produção de betume e mistura de lubrificantes, destacou o ministro da Energia, Makozo Chikot, citado pelo jornal Lusaka Times.

O projecto, segundo o ministro da Energia, visa satisfazer a procura interna de combustíveis e apoiar o desenvolvimento industrial, num contexto em que muitos governos africanos estão a rever a política de segurança energética devido às restrições no fornecimento provocadas pela guerra no Médio Oriente, após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão.

A refinaria será construída em Ndola, um importante centro industrial e mineiro na província de Copperbelt, perto da fronteira com a República Democrática do Congo (RDC) e deverá criar no global mais de 4.800 postos de trabalho. Mais de 2.200 empregos serão criados durante a fase de construção da refinaria, estando previstos mais 600 empregos directos e 2.000 indirectos quando a unidade entrar em funcionamento em 2028, data prevista para a conclusão das obras.

No seu discurso, durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra do complexo, a 10 de Abril, o ministro da Energia afirmou que a refinaria terá capacidade para o processamento de 3 milhões de toneladas métricas por ano, ou aproximadamente 60.000 barris por dia, quantidade considerada suficiente para satisfazer a procura interna actual de combustível.

A expectativa do governo é que o complexo, que inclui ainda uma central de energia de 130 megawatts, impulsione a capacidade energética e industrial da Zâmbia, apoiando sectores-chave, como a mineração e outras indústrias com elevado consumo de combustível, estando previsto ainda que, a longo prazo, uma parte da produção sirva para exportar para os países vizinhos.

Principal fonte de saída de divisas

Segundo a Agência Ecofin, em 2024, a Zâmbia importou 2,11 mil milhões USD em produtos petrolíferos refinados, de acordo com o Observatório da Complexidade Económica (OEC). Os principais fornecedores incluíram Singapura (426 milhões USD), Tanzânia (387 mi lhões USD) e os Emirados Ára bes Unidos (335 milhões USD), fazendo das importações de combustíveis a maior fonte de saída de divisas do país.

No seu discurso, o ministro da Energia destacou ainda que este projecto "transformador" é impulsionado pelo sector privado, reflectindo "a forte confiança dos investidores no ambiente favorável aos negócios do país". Makozo Chikot, que esteve acompanhado pelo ministro do Comércio, Indústria e Investimento, Chipoka Mulengapelo, incentivou os promotores a priorizarem a transferência de competências e a formação dos zambianos.

O acordo com a Fujian Xiang Xin Corporation para a construção da refinaria de petróleo e um complexo energético, na região do cinturão de cobre do país, foi assinado em Julho de 2025.

Aquando da assinatura do acordo, um porta-voz da estatal IDC, citado pelo Business Insider Afri ca, afirmou que o petróleo bruto será proveniente do Médio Oriente e chegará ao país pelo porto de Dar es Salaam, na Tanzânia. Já em resposta à Bloomberg, esta semana, o ministro da Energia zambiano afirmou que, a longo prazo, o petróleo - proveniente do Oriente Médio e de Angola - será fornecido por ferrovia.

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