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Angola

CEIC diz ser "inimaginável" tão poucas transformações económicas e sociais em 20 anos

ESTUDO DO CENTRO DE ESTUDOS DA UNIVERSIDADE CATÓLICA

CEIC diz que a taxa média anual de crescimento do PIB entre 2013 e 2022 rondou 0,367% em média anual, muito abaixo aumento populacional, o que considera insuficiente para a redução sistemática dos índices de pobreza.

A pobreza e desemprego são o cocktail perfeito para o incremento da desigualdade, podendo tornar-se no rastilho para perturbações sociais expressivas e graves, aponta o estudo do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola que considera "inimaginável" que em 20 anos a economia e a sociedade angolanas tenham apontado "tão poucas transformações nas estruturas económicas e nos sistemas sociais".

Na sua actualização dos cenários de crescimento da economia angolana até 2030 e impactos sobre a pobreza, recentemente, o CEIC sublinha que as previsões de crescimento do PIB pós-Covid-19 (2020-2025) não são propriamente animadoras. Em países como Angola, Nigéria, África do Sul, prevê-se que o PIB real regresse aos níveis anteriores à crise apenas em 2023 ou 2024, mas nunca ultrapassando a taxa de crescimento da população, que para Angola está à volta dos 3,1%.

De acordo com o CEIC, a taxa média anual de crescimento do PIB entre 2013 e 2022 rondou 0,367% em média anual, o que considera insuficiente para se atingir os mais importantes objectivos de desenvolvimento sustentado subscritos por Angola, entre os quais a redução sistemática dos índices de pobreza.

Entretanto, o centro de estudos argumenta que a alteração do modelo de redistribuição do rendimento nacional deve passar pelo crescimento e criação de emprego, mas, sobretudo, pela criação de condições a montante para a população pobre, nomeadamente, educação, formação profissional, utilização de mão-de-obra nos processos produtivos, ou seja, incrementar a qualidade destes activos populacionais.

Assim, para o CEIC, o programa Kwenda não tem filamentos suficientemente fortes de alívio da situação dos mais carenciados, ainda que alguns deles tenham sido reforçados com ideias e programas de criação de valor agregado. "Depois do Kwenda o que vai ficar se o crescimento não acontecer a taxas superiores a 8,5% ao ano (custos de reprodução do homem de pelo menos 3,2%, taxa de crescimento da poupança de 3% e resguardo/formação do capital humano de 2,5%)?", questiona o estudo.

O CEIC apresenta dois cenários para a redução da pobreza no País, um que toma como "bons os números" do FMI, e outro questionando a quantidade de crescimento do PIB necessário para se circunscrever substancialmente e sustentadamente esta adversidade.

Com base nos números do FMI, considerando uma taxa de crescimento do PIB de 3,1% até ao final deste ano, Angola terá uma taxa de pobreza de 50,7% da população, com cerca de 17 milhões de angolanos na pobreza. Já para 2027, espera-se que a taxa de pobreza reduza para 49,8%, mas aumente o número de pessoas pobres para mais de 19 milhões. Assim, somente num cenário de crescimento da economia à volta dos 8% e redução da taxa de crescimento da população para 2% é que vai se verificar uma queda substancial da população pobre no País.

Economia estagnou em 2023 e cresce 2,7% este ano

As previsões do CEIC sobre a economia nacional são menos optimistas quando comparado com outras instituições. De acordo com o CEIC, com base no seu modelo económico, MODUCAN, o País terá estagnado no ano passado, registando uma ligeira variação de 0,3%. Para 2024, a instituição liderada por Alves da Rocha prevê um crescimento de 2,7%. Já o Governo que aguarda por crescimento de 0,44% em 2023, prevê um crescimento de 2,84% este ano. O FMI e o Economist Intelligence são mais optimistas, esperam por crescimentos na ordem dos 3,1% e 3,0%, respectivamente, até ao final de 2024.