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Angola

Preços no mercado informal aumentam 21% desde Dezembro

BENS ALIMENTARES

Especialistas apontam para a queda do preço do petróleo que origina a escassez de divisas no mercado cambial e redução das importações, bem como o baixo nível de diversificação de outros sectores da economia como as principais causas do aumento dos preços.

Os preços de alguns dos principais produtos da cesta básica registaram desde Dezembro do ano passado até Fevereiro de 2024 um aumento de 21% nos mercados informais, apurou o Expansão comparando os preços de 18 bens alimentares considerados fundamentais na dieta dos angolanos.

Os dados foram apurados numa ronda feita na cidade de Luanda, comparando os preços recolhidos nos mercados informais de Catinton e Asa branca.

Numa altura em que o kwanza está praticamente estagnado há oito meses, desde que ultrapassou a barreira dos 820 Kz por dólar, mesmo apesar da aparente estabilização cambial há já alguns meses, ainda se verificam aumentos em alguns produtos da cesta básica. O economista Heitor Carvalho aponta outros factores relacionados a este fenómeno, como as restrições ao mercado cambial. "Há uma redução das divisas disponíveis e a procura não é satisfeita porque não há oferta de divisas no mercado cambial ou há uma oferta muito limitada, mas por um processo que não se conhece bem não há variação da taxa de câmbio".

"Quando se passa de uma taxa de câmbio livre para uma taxa de câmbio efectivamente fixada, que é o processo que vivemos, uma taxa de câmbio que (por um processo que não está muito claro) está fixada por processos não de mercado, há restrições na alocação de divisas. Os bancos não satisfazem os seus clientes, há limitação de pagamentos e há limitação nas importações por via dos pagamentos e não só. Desde Maio que tem vigorado uma limitação administrativa das importações, através de não se passarem licenças para uma série de produtos que supostamente são produzidos no país e em quantidade insuficiente para dar resposta à procura" continuou.

Heitor Carvalho explicou a inda que a redução da importação de um produto pela escassez de divisas ou pela via da não passagem das licenças da importação, reduz as importações e a soma entre o que é produzido internamente e as importações diminui e, diminuindo a quantidade de produtos no mercado, mesmo mantendo o mesmo nível de rendimentos nominais, origina uma subida dos preços.

A economista e docente universitária Conceição Faria Da Silva aponta o baixo nível de diversificação de outros sectores da economia como a principal causa. "Este fenómeno origina a escassez destes produtos e directamente tem como resposta o aumento dos preços". Outro factor mencionado foi a especulação de preços, acrescentando que enquanto a produção nacional continuar desajustada à procura de mercado, e os outros sectores da economia não forem despertados para o aumento da oferta interna e levar a possibilidade de gerar excedentes desta produção para exportar, os aumentos dos preços continuarão voláteis. As políticas monetárias isoladamente aplicadas não são tão fortes para travar este aumento.

Já o economista Carlos Lumbo destaca três factores. Primeiro a lenta subida da inflação mensal desde Setembro 2022, por início de queda do preço do petróleo e da lenta depreciação do Kwanza. Em segundo a aceleração da inflação por intensificação da depreciação, com o Tesouro Nacional a apoderar-se de grande parte das divisas no mercado em meados de 2023. E, por fim, o distanciamento da inflação em Luanda relativamente às demais províncias, desde Junho de 2023, relacionado certamente com a redução dos subsídios aos combustíveis.

Carlos Lumbo acredita que Luanda está numa tendência de, a meio de 2024, atingir acima de 40% de inflação homóloga e Angola acima de 30%, se as políticas não forem rigorosas e firmes.