Entrada de Angola na Zona de Comércio Livre Continental Africana: sucesso a longo prazo?

Entrada de Angola na Zona de Comércio Livre Continental Africana: sucesso a longo prazo?

O lançamento oficial da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) mereceu destaque neste mês. Apesar de Angola estar a preparar a sua oferta tarifária, chamou-nos particularmente a atenção o optimismo gerado.

Esta iniciativa é apresentada como um incentivo para a diversificação económica, uma oportunidade para as empresas se internacionalizarem e o País atrair mais investimento directo estrangeiro.

Todavia, o que esta perspectiva perde de vista é o facto de os países africanos não partirem no mesmo estágio de desenvolvimento económico. Por ex., os países do Magrebe, como Marrocos, Tunísia dispõe de uma população mais bem qualificada e infraestruturas em melhor estado do que a maioria dos países ao sul do Sara. As economias africanas dependentes do petróleo, como Angola, enfrentam uma crise de crescimento anterior à pandemia da Covid-19. Ainda assim neste grupo de países o crescimento não é tão homogéneo, por ex., os nossos cálculos, com base nos dados do FMI, mostram que entre 2015 e 2019 Angola e a Guiné Equatorial experimentaram uma recessão ao passo que a variação média do PIB real da Nigéria foi de 1,19%.

Por isso, mais do que analisar se o optimismo da governação se justifica ou mesmo apresentar uma lista das desvantagens de uma tal integração nesta altura, é imperioso colocarmos a seguinte questão: O que motiva o Executivo angolano a aderir a ZCLCA quando a evidência empírica mostra que o País não criou as condições para tirar o máximo de proveito?

Num outro texto(2) explicamos que ao ter manifestado, na entrevista que concedeu à agência EFE de Espanha, o desejo de efectuar reformas cujos resultados pudessem ser semelhantes aos que Deng Xiaoping alcançou na China, João Lourenço forçou a sua equipa económica a ajustar-se para sobreviver. Alertámos na altura que o perigo que se corria com este tipo de adaptação era que a equipa perdesse o sentido pragmático e deixasse de analisar de forma crítica a melhor via para se materializar a visão do líder.

João Lourenço foi empossado num contexto em que um grupo muito restrito, ligado ao antigo Presidente Dos Santos, controlava vários sectores da economia. Com vista a garantir a sua
própria sobrevivência política e consolidar o seu poder o Presidente escolheu implementar reformas neoliberais. Essa vontade ficou clara na sua primeira mensagem sobre o Estado da Nação, em 2017.

*Docente e investigador da UAN

(Leia o artigo integral na edição 609 do Expansão, de sexta-feira, dia 29 de Janeiro de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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