Coronavírus: o cisne negro que impulsionou a indústria dos diamantes

Coronavírus: o cisne negro que impulsionou a indústria dos diamantes
Foto: César Magalhães

O ano de 2020 foi marcado por uma situação inesperada e sem precedentes que afectou a economia mundial e a indústria dos diamantes, em particular, criando mudanças significativas para o sector e outras perspectivas.

Governos das principais regiões de mineração aos mercados de consumo de jóias com diamantes abraçaram medidas de segurança para conter o surto do novo coronavírus, situação que abrandou a actividade económica em todo o globo. Este facto, conjugado ao sentimento pessimista sobre os negócios, foi um banho de água fria para o sector, o que levou governos e a indústria a adoptarem estratégias para mitigar o choque causado pela pandemia da Covid-19 sobre a cadeia global do diamante.

Enquanto produzo este artigo, deparei-me com o "Navegar em Águas Desconhecidas e com Nevoeiro", de Sandra Dias. Este, recorda-nos "que a melhor forma de prever o futuro é planeá-lo", segundo, Peter Drucker. Embora a humanidade venha criando modelos para prever eventos que afectam o seu status quo, previsões baseadas em análises empíricas e modelos matemáticos encontram maior probabilidade de sucesso para fenómenos aleatórios. Sendo a Covid-19 um fenómeno caótico, este passa a ser um puzzle para os governos, empresas e famílias, isto é, um Cisne Negro, termo criado por Nassin Taleb para caracterizar eventos raros e imprevisíveis, mas que causam impactos significativos na economia.

A indústria dos diamantes vinha de uma trajectória positiva desde o terceiro trimestre de 2019, um ano em que o seu desempenho foi afectado pela guerra comercial entre os EUA e a China. O primeiro trimestre de 2020 contrariou o prognóstico pessimista para a indústria com um desempenho positivo. Esta trajectória foi interrompida quando a Covid-19, depois de afectar a China, afectou os EUA e o resto do mundo no segundo trimestre desse ano. Esse cenário faliu empresas como a Dominion Diamond; exigiu maior liquidez, como aponta o relatório "O Impacto da Covid-19 nas Comunidades Africanas Dependentes da Exploração Mineira", publicado pela Coligação da Sociedade Civil do Processo Kimberley. Pequenos produtores em África não efectuaram nenhuma venda até ao momento da publicação deste relatório, em Junho de 2020. Em outras paradas onde predomina a produção artesanal os preços caíram até 50%, exacerbando as condições socioeconómicas destas comunidades; quebrou a procura de jóias com diamantes decorrente do encerramento das lojas e da redução do rendimento da população da classe média alta nos EUA e na China. Segundo o relatório da De Beers, "A Cadeia Global do Diamante em 2020", medidas de quarentena nesses países levaram ao encerramento de joalharias para uma média de seis semanas, como resultado, as vendas de jóias com diamantes caíram cerca de 45% na China e 40% nos EUA no primeiro e segundo trimestre de 2020, o que provocou uma queda substancial na procura de diamantes polidos e brutos.

Num contexto de incerteza, a aceitação universal de que as coisas não seriam as mesmas levou a
indústria a ressurgir com ideias. Essa mudança, aliada à reabertura da economia, a partir do terceiro trimestre de 2020, nas várias regiões do globo, deu um certo alívio às empresas do sector.

*Economista

(Leia o artigo integral na edição 616 do Expansão, de sexta-feira, dia 19 de Março de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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