Trocas comerciais afundam 38% para 30,4 mil milhões USD à conta da pandemia

Trocas comerciais afundam 38% para 30,4 mil milhões USD à conta da pandemia
Foto: D.R.

As exportações de mercadorias angolanas afundaram 40% para 20,9 mil milhões USD no ano passado face a 2019, tratando-se do valor mais baixo desde 2004, enquanto as importações caíram 33% para 9,5 mil milhões USD, o valor mais baixo desde 2006.

Contas feitas, as trocas comerciais angolanas no ano passado foram de 30,4 mil milhões USD, uma queda de 38% face aos 48,8 mil milhões registados em 2019.

O afundanço das trocas comerciais resulta da queda das exportações e das importações num ano em que praticamente todas as economias mundiais foram afectadas pela pandemia da Covid-19. As exportações passaram de uma média mensal de 2,9 mil milhões USD em 2019 para 1,7 mil milhões USD no ano passado, enquanto as importações caíram de 1,2 mil milhões USD/mês para 0,8 mil milhões ou 800 milhões USD. Já o saldo comercial afundou 45% face a 2019 para 11,4 mil milhões USD, sendo necessário recuar a 2004, dois anos após o fim da guerra civil, para encontrar um valor inferior. A redução da procura de petróleo em todo o mundo não tinha como não afectar Angola, já que a quase totalidade das suas exportações são vendas desta matéria-prima para o exterior.

Para se ter uma ideia do peso do sector petrolífero, segundo cálculos do Expansão com base nos relatórios de Estatísticas Externas do Banco Nacional de Angola (BNA), desde 1991 as exportações angolanas renderam 794,8 mil milhões USD, sendo que 747,5 mil milhões USD foram vendas de petróleo, o que representa 94% do total. Se à exportação de petróleo forem adicionadas as vendas de refinados e de gás ao exterior estão encontradas 96,5% das exportações angolanas desde 1991. Quanto aos diamantes, renderam quase 24 mil milhões USD, ou seja 3% das exportações, e os denominados produtos da diversificação económica, como a madeira, café, cimento, entre outros, representam apenas 0,5% do total das exportações angolanas em 30 anos.

Ainda assim, entraram no país quase 895 mil milhões USD por via das exportações desde 1991, em que 58% dessas vendas foram feitas na década 2011-2020. Por outro lado, em 30 anos, o país importou o equivalente a 316,5 mil milhões USD em mercadorias, sendo que 61% desse valor serviu para importar bens de consumo corrente, equivalente a 192,3 mil milhões USD. Bens de capital, como equipamentos e instalações necessários para a produção de outros bens e mercadorias (exemplo: máquinas, ferramentas, fábricas ou motores), representaram 26% do total das importações desde 1991, enquanto os bens de consumo intermédio (mercadorias que podem ser transformadas ou utilizadas no processo produtivo) representaram 13% das importações nos últimos 30 anos.

(Leia o artigo integral na edição 619 do Expansão, de sexta-feira, dia 9 de Abril de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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