Obras de 250 milhões USD mas 1,7 milhões de pessoas nunca "viram" água

Obras de 250 milhões USD mas 1,7 milhões de pessoas nunca "viram" água
Foto: Quintiliano dos Santos

O projecto que esteve a cargo de duas empresas chinesas terminou em 2017, mas 209 mil ligações não funcionam porque dependem da construção dos sistemas do Bita e do Quilonga Grande previstos para assegurar o abastecimento de água em Luanda e que tardam em sair do papel.

Ao longo dos anos os luandenses têm consumido água de cisternas conservada em tanques feito em cimento ou através de chafarizes construídos pelo Estado. Em 2012 esse cenário pareceria que ia ficar na história, até porque duas construtoras chinesas já tinham dado inicio a obras no valor de 250 milhões USD para levar água a 700 mil habitações.

Só que passados todos estes anos isso não aconteceu, segundo revelam dezenas de moradores das periferias da capital, que responsabilizam a Empresa Pública de Abastecimento de Água (EPAL), a "dona" do projecto.

Feliciano Cassule, residente no município do Cazenga, adiantou ao Expansão que em 2012 chegou a ter água canalizada na sua residência, mas depois de alguns meses a "fonte secou" e até hoje nunca mais viu a torneira jorrar água.

"Todos aqui no bairro já tinham água potável em casa, mas quando começou a construção do asfalto da estrada rebentaram- se os tubos todos e voltámos ao "normal". Já fizemos muitas reclamações, até por escrito e não vimos o problema resolvido. Fomos à administração municipal, fomos ao Kikuxi, na central [de abastecimento de água] e nunca houve solução", explicou. Com 71 anos ainda com saúde, a Feliciano Cassule não resta outra solução que não seja a de carregar um bidon de 20 litros pelas ruas do seu bairro, à semelhança do que fazem desde tenra idade milhares de angolanos.

(Leia o artigo integral na edição 628 do Expansão, de sexta-feira, dia 11 de Junho de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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