Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Economia

Apenas 3 em cada 100 angolanos pensam em comprar carro e 11 em comprar casa

NOS PRÓXIMOS DOIS ANOS

O pessimismo das famílias relativamente à aquisição de uma viatura nova ou de uma casa está associado à degradação da sua posição financeira. Os preços continuam a subir mais do que os rendimentos das famílias.

No inquérito sobre a confiança do consumidor são colocadas questões aos agregados familiares sobre a capacidade de poupança e as expectativas relativamente à aquisição de bens de elevado valor, como uma casa ou um carro. Em resposta à questão "Pensa comprar um carro nos próximos dois anos?", 61% dos inquiridos afirmaram que não vão comprar nos próximos dois anos, enquanto 28% disseram que provavelmente não. Apenas 9% apontaram que "provavelmente sim" e 3% responderam "sim, com certeza absoluta". Ou seja, apenas três em cada 100 angolanos pensam efectivamente comprar um carro nos próximos dois anos. A percentagem é inferior aos 4% registados até ao segundo trimestre, o que significa que há mais pessoas a desistirem da intenção de comprar uma viatura nos próximos dois anos.

O pessimismo das famílias relativamente à aquisição de uma viatura nova está associado à degradação da sua posição financeira. Apesar de a taxa de inflação estar a desacelerar, isto não significa que os preços estejam a baixar. Pelo contrário, os preços continuam a subir, mas a um ritmo inferior ao verificado no ano passado, o que se traduz numa redução da taxa de inflação. No mercado automóvel não tem sido diferente.

A desvalorização do kwanza e a inflação persistente dificultam o acesso a bens duradouros e encarecem os custos de manutenção. As famílias que participaram no inquérito apontam as viaturas pessoais como bens necessários, tendo em conta as dificuldades de mobilidade que os cidadãos enfrentam, num cenário caracterizado por longas filas e pela insuficiente prestação dos serviços de transporte público.

No entanto, quando questionados sobre a intenção de comprar casa nos próximos dois anos, a maior parte dos inquiridos respondeu "não, de certeza absoluta" (40%), o que demonstra um aumento do pessimismo face aos 39% registados no mesmo período do ano passado. Apenas 11 em cada 100 famílias dizem "sim, de certeza absoluta" à possibilidade de comprar casa nos próximos dois anos.

O facto é que, além das dificuldades financeiras, as famílias enfrentam vários obstáculos para construir ou comprar uma casa. Entre eles estão a quebra do poder de compra, os salários baixos face ao elevado custo dos imóveis e dos materiais de construção e o reduzido acesso ao crédito bancário. Só para se ter uma ideia, a banca comercial disponibilizou apenas 102,6 mil milhões de kwanzas em crédito à habitação até ao final do primeiro trimestre deste ano, ao abrigo do Aviso n.º 9 do BNA, criado em 2024 para facilitar o acesso ao crédito à habitação. Especialistas consideram que este valor é baixo e não responde às necessidades de muitas famílias que continuam à espera de realizar o sonho da casa própria.

64% dizem que não é possível fazer poupança

Em resposta à questão "na actual situação económica do País, acha possível poupar algum dinheiro?", 30% dos agregados familiares disseram que sim, 6% responderam que não e os restantes 64% afirmaram não saber ou não responderam. A conjuntura económica e social em Angola continua...

Leia o artigo integral na edição 894 do Expansão, sexta-feira, dia 18 de Setembro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo