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Economia

BNA corta juros para mínimos de 2016 e antecipa crescimento de 6,15%

NUM CENÁRIO DE FORTE PRESSÃO SOBRE OS JUROS E DE DESACELERAÇÃO DA ECONOMIA MUNDIAL

É o maior ciclo consecutivo de desaperto da política monetária desde que há registos, com seis cortes sucessivos das taxas directoras desde Novembro de 2025, num movimento sustentado pela desaceleração da inflação e que contrasta com a orientação monetária adoptada pelas principais economias do mundo.

O ciclo de desaperto da política monetária em Angola continua, com o Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) a voltar a reduzir as taxas directoras. Além de um corte de 1,5 pontos percentuais na principal taxa directora, o banco central reviu em alta a projecção de crescimento da economia, para 6,15% no final do ano.

Trata- se da taxa de juro directora mais baixa desde Junho de 2016, já que é necessário recuar até Maio de 2016 para encontrar uma taxa de juro inferior à definida esta semana pelo banco central, segundo cálculos do Expansão. Com isto, o BNA efectuou o 12.º corte da taxa directora desde 2017, num período em que houve apenas cinco aumentos das taxas directoras, registando-se o maior ciclo consecutivo de desaperto da política monetária desde que há registos, com seis cortes consecutivos iniciados em Novembro de 2025, em resposta à trajectória de desaceleração da inflação.

No entanto, o alívio da política monetária já era antecipado pelo mercado, tendo em conta a trajectória de desaceleração da inflação. Só para se ter uma ideia, em Agosto, a inflação homóloga recuou 0,55 pontos percentuais face a Julho, para 8,78%, ficando abaixo da barreira dos dois dígitos, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), registando-se a taxa mais baixa dos últimos 11 anos.

Assim, o Comité de Política Monetária decidiu reduzir a taxa directora (Taxa BNA) em 1 ponto percentual, de 15,75% para 14,75%. O BNA decidiu igualmente cortar em 1 ponto percentual à taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez, de 16,75% para 15,75%, bem como reduzir a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez, de 14,75% para 13,75%. Adicionalmente, o CPM cortou o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional de 17,5% para 16,5%, com a intenção de libertar liquidez no sistema bancário e aumentar a margem dos bancos comerciais para a concessão de crédito à economia.

"A redução das taxas de política monetária e do coeficiente de reservas obrigatórias fundamenta- -se nos progressos observados na trajectória da inflação e nas perspectivas da sua evolução no curto e médio prazo", justificou o BNA. Assim, existe uma diferença de 6 pontos percentuais entre a taxa directora e a inflação homóloga, o que abre espaço para um maior alívio da política monetária nos próximos meses, caso a inflação mantenha a trajectória de desaceleração.

Em contramão com o cenário internacional

Olhando para a maior parte dos relatórios do INE e do Governo, Angola parece continuar a esquivar-se às consequências das guerras internacionais (Rússia/Ucrânia e EUA/Irão), já que a inflação em alta que tem afectado as principais economias do mundo em Angola não se faz sentir (taxa de câmbio administrada pelo BNA e subsídios aos combustíveis ajudam a explicar). E, por isso, o banco central tem vindo a adoptar uma postura de política monetária expansionista (flexibilização), com cortes sucessivos nas taxas de juro, uma medida que coloca o BNA em contramão com o panorama macroeconómico global.

Só para se ter uma noção, o Banco Central Europeu, na semana passada, aumentou as taxas de juro de referência em 0,25 pontos percentuais para 2,5%, naquela que foi a segunda subida do ano, motivada pela pressão inflacionista alimentada por choques energéticos. Nos Estados Unidos, esta semana, os sinais de alarme chegam do mercado de dívida, com os títulos do Tesouro a 10 anos a chegarem a negociar com uma yield acima dos 5%, um patamar que só tinha sido atingido uma vez desde Junho de 2007, reforçando a expectativa de uma revisão das taxas de juro.

E, com os juros norte-americanos mais altos, surge um efeito de contágio negativo sobre economias emergentes e em desenvolvimento, como o caso de Angola, onde os investidores internacionais tendem a migrar para os activos considerados mais seguros do mundo, como os títulos do Tesouro dos EUA, desencadeando pressões financeiras sobre as taxas de juros do País.

Um consultor internacional ouvido pelo Expansão, explica que a subida das yields dos Treasuries e das Bunds pode pressionar Angola, sobretudo porque aumenta o custo de refinanciamento e pode provocar quedas no preço das Eurobonds angolanas...

Leia o artigo integral na edição 894 do Expansão, sexta-feira, dia 18 de Setembro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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