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Economia

BNA mantém taxa de juro nos 20% e renova Aviso 10

103º reunião do Comité de Política Monetária

Estas são as duas decisões mais importantes da reunião do Comité de Política Monetária. O BNA permite que o cumprimento de reservas obrigatórias pelos bancos comerciais (22%) possa ser efectuado pelo montante de crédito concedido e desembolsado aos operadores da cadeira de produção de alimentos.

Isto significa que os bancos comerciais em vez de terem o dinheiro parado no banco central sem qualquer rentabilização, podem emprestar aos operadores da cadeia de produção de alimentos a uma taxa de 7,5%, o que é um ganho importante para as instituições, estimulando também a concessão de crédito.

No âmbito do Aviso n.º 10/2020, de 03 de Abril, no ano de 2021 foram aprovados financiamentos para 471 projectos de créditos no valor de 634,32 mil milhões de kwanzas, correspondente a 358,19% do valor mínimo a conceder previsto para 2021. Os sectores que mais beneficiaram de financiamento em termos de montante desde a publicação do referido Aviso até ao final de 2021 são: "indústrias alimentares" (36,49%), "agricultura, produção animal, caça e actividades dos serviços relacionados" (20,41%) e "industria de bebidas" (16,71%).

Já a manutenção da taxa de juro é justificada pela análise que o BNA faz à economia nacional. De acordo com a instituição as Contas Nacionais Trimestrais divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou, em termos homólogos, um crescimento de 0,8% no terceiro trimestre de 2021 e 0,5% quando comparado com o trimestre anterior. O crescimento homólogo, foi impulsionado, essencialmente, pela contribuição positiva dos sectores do comércio (3,50 pp), dos transportes (1,00 pp) e das pescas (1,00 pp), atenuado pela contribuição negativa do sector petrolífero (-2,83 pp). De salientar que o crescimento ora observado interrompeu nove trimestres de um ciclo de contracção.

O mercado cambial manteve-se estável e líquido. No mês de Dezembro, os bancos comerciais adquiriram ao mercado um total de 1,01 mil milhões de dólares norte-americanos, um aumento de 14,08%, face aos 885,68 milhões de dólares norte-americanos adquiridos em Novembro. O kwanza manteve o curso de recuperação, apreciando no mês cerca de 4,61% em relação ao dólar norte-americano, elevando a apreciação anual para 18,24%.

O saldo da conta de bens manteve-se superavitário. De acordo com os dados preliminares do mês de Dezembro de 2021, o saldo da conta de bens foi de 2,32 mil milhões de dólares norte-americanos, representando um aumento de 18,55% comparativamente aos 1,96 mil milhões de dólares norte-americanos registados no mês anterior. Em termos acumulados de 2021, estima-se que o saldo da conta de bens se tenha situado em 21,33 mil milhões de dólares norte-americanos, um aumento de 87,21% comparativamente ao ano de 2020 (11,39 mil milhões de dólares), devido ao incremento do valor das exportações em 56,70%, que se revelou mais acentuado do que das importações (20,27%). O aumento foi notório nos combustíveis (107,29%) e nas demais importações não alimentares (17,13%), uma vez que as importações de alimentos registaram uma contracção (-7,85%).

O stock de Reservas Internacionais, no mês de Dezembro, situou-se em 15,51 mil milhões de dólares norte-americanos, correspondendo a uma cobertura de 9,78 meses de importações de bens e serviços. Em termos anuais, as Reservas Internacionais registaram uma expansão na ordem dos 4,27%, após uma redução de 13,55% observada em 2020.

Quanto à Base Monetária em moeda nacional, variável operacional da política monetária expandiu em 2,99% no mês de Dezembro e, em termos acumulados de 2021, registou uma contracção de 3,56%. Por sua vez, os agregados monetários (M2) em moeda nacional expandiram em 2,17% no mês de Dezembro e 0,86% no ano.

O stock de crédito à economia em moeda nacional registou uma expansão de 1,10% no mês de Dezembro, tendo atingido 3,84 biliões de kwanzas. Em termos homólogos, assistiu-se a uma expansão de 13,32%.

Segundo os dados do INE, a taxa de crescimento mensal do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) aumentou de Novembro a Dezembro de 2021, em torno de 0,02 pp fixando-se em 2,10%. A inflação anual foi de 27,03% contra os 25,10% apurados em 2020, impulsionada, maioritariamente, pela contribuição da classe de Alimentação e Bebidas Não-Alcoólicas, que no acumulado de doze meses representou, em termos médios, cerca de 70% da inflação total.

Para o ano de 2022, perspectiva-se a inflexão da trajectória da inflação nacional, prevendo-se uma taxa anual em torno de 18%, que apesar de relativamente mais branda do que a observada nos dois últimos anos, manter-se-á ainda acima do objectivo de médio prazo de uma taxa de inflação de apenas um dígito, requerendo, por isso, a manutenção de um quadro de politica monetária restritivo, capaz de influenciar positivamente a preservação do poder de compra da moeda nacional.

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