Depois da SpaceX, rivais Anthropic e OpenAI preparam-se para abrir capital em bolsa
A corrida aos maiores IPO da história está a ganhar força, com as rivais OpenAI e Anthropic apontadas como candidatas a avançar para bolsa. O maior duelo da inteligência artificial está prestes a chegar aos mercados bolsistas. As operações poderão marcar o regresso dos grandes IPO tecnológicos a Wall Street, após vários anos de fraca actividade. A última mega entrada em bolsa no sector foi a da Uber, em 2019.
Depois da SpaceX e da Anthropic, criadora do Claude, foi a vez da OpenAI dar mais um passo rumo ao mercado bolsista. A empresa liderada por Sam Altman apresentou esta semana, de forma confidencial, a documentação necessária para uma Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) junto da Securities and Exchange Commission (SEC), o regulador do mercado de capitais norte-americano.
A operação poderá tornar-se uma das maiores entradas em bolsa do ano e reforça a expectativa de um regresso dos grandes IPO tecnológicos a Wall Street, após vários anos de fraca actividade. Só para se ter uma ideia, a última mega operação foi a da Uber, em 2019, desde então poucas empresas tecnológicas de grande dimensão avançaram para os mercados públicos. Mas este ano há um "tripé" que promete romper a tendência. As expectativas de analistas e investidores são tão altas que já é usada a expressão "mega-IPO".
A dona do ChatGPT está a trabalhar com os bancos de investimento Goldman Sachs e Morgan Stanley, embora ainda não tenha definido um calendário para a operação. A empresa admite que a manutenção do estatuto de sociedade privada continua a oferecer maior flexibilidade estratégica, mas o pedido confidencial permite acelerar o processo caso as condições de mercado sejam favoráveis.
A entrada em bolsa surge num momento de crescente pressão competitiva no sector da inteligência artificial. A OpenAI disputa a liderança com a Anthropic e com a Google, ao mesmo tempo que procura responder às exigências de investidores depois de falhar algumas metas internas de receitas e crescimento de utilizadores, segundo a Bloomberg.
A Anthropic também já apresentou confidencialmente o pedido para IPO e atingiu uma avaliação próxima dos 965 mil milhões USD na sua mais recente ronda de financiamento privado. A SpaceX, liderada por Elon Musk, é outra das empresas que poderá avançar para o mercado público nos próximos meses, numa operação igualmente avaliada em centenas de milhares de milhões de dólares.
Corrida ao capital para financiar a IA
A disputa entre as grandes tecnológicas de inteligência artificial não se resume à conquista de utilizadores ou quota de mercado. O acesso ao capital tornou-se uma componente crítica numa indústria que exige investimentos cada vez mais elevados em chips, centros de dados, energia e capacidade computacional.
Em Fevereiro, a OpenAI revelou aos investidores que prevê investir cerca de 600 mil milhões USD em infra-estruturas de inteligência artificial até 2030, num esforço para reforçar a sua capacidade de processamento e acelerar o desenvolvimento de modelos mais avançados.
Para os bancos de investimento, a corrida entre OpenAI, Anthropic e SpaceX tem uma importância adicional. A empresa que chegar primeiro ao mercado poderá estabelecer as métricas de avaliação para a nova geração de gigantes da inteligência artificial e captar uma parte significativa do capital disponível para exposição directa ao sector.
Apesar do entusiasmo, o mercado continua cauteloso. Nos últimos anos, a OpenAI levantou montantes recorde junto de investidores privados e assumiu compromissos financeiros de grande dimensão para expandir a sua rede de centros de dados. A aposta passa por transformar essa capacidade adicional de processamento numa vantagem competitiva sustentável face aos concorrentes.
Assim, o sucesso da operação dependerá, não apenas da procura dos investidores, mas também da capacidade da empresa em demonstrar que os elevados investimentos realizados serão traduzidos em receitas e rentabilidade nos próximos anos.











