Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Economia

Brent volta a superar os 100 USD com escalada das tensões no Médio Oriente

Petróleo ao dia

A cotação do barril de Brent ultrapassou novamente, esta manhã, a barreira dos 100 USD, impulsionada pelo agravamento das tensões entre os Estados Unidos e o Irão e pelos receios de que uma nova escalada militar possa provocar perturbações mais graves no estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.

Perto das 9h00, hora de Luanda, o Brent, referência para as exportações angolanas, valorizava 2,3%, para 100,2 USD por barril. No mesmo período, o West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, avançava 1,5%, para 94,4 USD.

Esta é a primeira vez desde 24 de julho que o Brent volta a negociar acima dos 100 dólares. Desde o início de Agosto, a cotação acumula uma valorização próxima de 25%, num movimento que reflete sobretudo o aumento do prémio de risco associado ao conflito no Médio Oriente e o enfraquecimento das expectativas de uma solução duradoura para o confronto entre Washington e Teerão, iniciado a 28 de fevereiro.

A nova subida ocorre depois de as forças militares norte-americanas terem anunciado a destruição de cinco petroleiros iranianos que transportavam crude. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, a operação ocorreu em resposta a alegadas tentativas de atingir um navio de guerra norte-americano com mísseis balísticos.

O Irão respondeu com ataques com mísseis contra a Jordânia e elevou ainda mais o nível de ameaça sobre o transporte marítimo na região. A televisão estatal iraniana, citando a Guarda Revolucionária Islâmica, informou que as tripulações de petroleiros nas proximidades dos cais do Kuwait e do Bahrein deveriam abandonar imediatamente as embarcações, sob ameaça de serem alvo de ataques.

A escalada ocorre igualmente num contexto de novos ataques de militantes houthis apoiados pelo Irão contra infraestruturas energéticas no sul da Arábia Saudita. Os ataques terão levado à suspensão das operações em algumas instalações de produção, aumentando os receios de uma redução da oferta mundial de petróleo.

Mais receitas e importações mais caras

Para Angola, a subida do Brent acima dos 100 dólares representa, à primeira vista, uma notícia positiva. O Orçamento Geral do Estado (OGE) foi elaborado com base num preço de referência de 61 USD para o barril de petróleo. Assim, quando a cotação internacional se mantém significativamente acima desse pressuposto, o Estado pode beneficiar de receitas petrolíferas superiores às inicialmente previstas.

Um Brent acima dos 100 USD pode, assim, melhorar a entrada de divisas, reforçar as receitas fiscais provenientes do sector petrolífero e criar maior margem para a execução orçamental.

No entanto, o efeito positivo não é absoluto. Angola é simultaneamente um grande exportador de petróleo bruto e um importador de derivados refinados, como gasolina e gasóleo. É precisamente aqui que surge uma das principais contradições de um cenário de petróleo acima dos 100 USD.

Enquanto o país beneficia do aumento do preço do crude que exporta, também fica exposto ao encarecimento dos produtos petrolíferos que importa. Se o preço internacional dos combustíveis subir de forma persistente, a factura das importações pode aumentar, pressionando as necessidades de divisas e reduzindo parte dos ganhos obtidos com a valorização do crude.

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo